sexta-feira, 31 de maio de 2013

O VELHO PAPA-VIRGENS – 6ª. parte
Ou “O descabaçador em Ação”; Ou: "De como duas mulheres inteligentes logram e castigam um velho tarado"
MILTON  MACIEL
Extraído do livro LOLITA DE ARACAJU, A Mais Jovem
Dona de Bordel do Mundo - MILTON MACIEL – Idel – SP

(Este livro é LEITURA PARA ADULTOS. Aos excertos publicados no Facebook e Grupos aplico uma ‘censura’ prévia, amaciando palavras ou eliminando trechos. No blog, o texto é igual ao do livro)

Final da 5a. parte
   Na manhã do dia seguinte, Alcebíades acordou de vez, lépido, quase sóbrio, como há muito não usava acordar. Também, depois de uma aventura dessas, acordar ao lado daquela beldade e, ainda por cima, saber que havia conquistado mais aquele cabaço superior, fantástico... Ah, era demais!

   Para sua estranheza, Lolita não estava na cama. Procurou pelo relógio de pulso, encontrou-o sobre o criado mudo: nove e dez! Aí seus olhos caíram sobre a cena apoteótica do seu triunfo: sangue, muito sangue, sangue por toda parte. A mancha na cama era inconfundível, no lugar certo, no tamanho certo. Exultou. Aí olhou para si próprio e viu a cueca manchada. Arriou-a um pouco, viu o sangue em seu próprio membro, sentiu-o pegajoso. Vitória!!

6a. PARTE
  Com os ruídos que fez, atraiu a presença de Zezé, que pediu desculpas por entrar assim, sem pedir licença.  O velho quis logo saber onde estava a menina, estava louco para dar um reforço nos trabalhos de abertura. Foi quando Zezé o surpreendeu:

- Que feio, doutor Alcebíades! O senhor bebeu demais e não se controlou. Foi muito grosseiro com a menina, uma criança virgem, o senhor sabia muito bem. Foi entrando com tudo, forçando a bichinha que se assustou com o tamanhão da sua estrovenga. Valha Deus, doutor! Pelo que menina me falou, chorando, o senhor deve ser mais um jegue do que um homem. Estropiou toda a coitadinha, veja só a sangueira que ficou. E o senhor precisava ver na pobrezinha, então. A xoxotinha pequena, miudinha, toda arrebentada, sangrando de pingar.

   Para o velho descabaçador, aquilo era música para seus ouvidos. Música pura, puro deleite!... O cabaço de uma mulher tão linda, seguramente a mais bonita de todas que já descabaçara em toda sua longa vida – rompido com requintes de força de um verdadeiro macho. Aos setenta e três anos ainda era capaz de invadir um xibiu com toda a força, romper a resistência do hímen com uma única e certeira estocada! Que pena que estava tão bêbado que não conseguia mais lembrar de nada. A menina devia ter gritado, esperneado, tentado se fechar. Ah, imaginava o grito maior, na hora da entrada triunfante. Como ele adorava esse grito, o canto do cisne do cabaço, como o apelidara há muito tempo.

   Alcebíades estava verdadeiramente feliz, olhava e voltava a olhar as manchas vermelhas no lençol e na cueca. Que macho! Melhor do que qualquer desses machinhos de merda de vinte anos, que viviam alardeando sua potência e fazendo troça de homens da sua idade. Ah, se eles pudessem ver Alcebíades agora, na apoteose, cruzando o arco do triunfo no quarto de Zezé!!

   Lembrou-se então que Zezé o estava olhando com ar de censura, pensou que devia fingir preocupação com a mocinha:

– Dona Zezé, me perdoe. Eu não sou assim, violento. Até que sou bem delicado com as meninas. Foi a bebida, a senhora sabe. E a senhora tem parte da culpa, me deixou beber demais. Traga a menina aqui que eu quero pedir desculpas – e a simples idéia de rever Lolita deu-lhe uma crispação nos bagos, sentiu que o herói ia levantar de novo, teve que sentar na cama para disfarçar.

  Mas Zezé disse, com expressão muito séria:

– Só se eu for buscar a pobrezinha no pronto-socorro, seu... seu malvado!

–  Pronto-socorro? Mas como assim, dona Zezé?

– Para o senhor ver. A bichinha ficou tão estropiada que, de madrugadinha mesmo, eu tive que arranjar um taxi e levar a coitadinha para lá, para costurarem o estrago que o senhor fez. A médica de plantão não queria acreditar, queria saber quem foi o monstro que fez aquilo, achou que fosse um caso de estupro. Não me deixaram entrar. Aí lavraram – a doutora disse que é obrigação do hospital, em caso de abuso de menor de idade como esse – um boletim de ocorrência policial.

– O que?! – Alcebíades levantou– se com um pulo.

– Isso mesmo, doutor. Tem um homem da polícia que fica lá, de plantão, para registrar coisas assim, diz que é a lei. Aí veja só o azar de eu não poder entrar com a menina. Pois os homens e a doutora apertaram a coitadinha e ela, na maior inocência, falou o nome de quem tinha feito o serviço nela. Falou o seu nome, doutor, inteirinho. Aí, eles vieram com o papel para mim, queriam que eu assinasse de testemunha contra o senhor, doutor, veja só!

– Meu Deus! Mas que barbaridade, eu nunca tive problema desse tipo com polícia, e olhe que eu já... – e achou melhor parar por ali.

– Eu sei, doutor. Mas é que a menina é muito novinha, muito boba, para ela o que a gente fez é normal. Então ela contou – diz que contou rindo – que o senhor pagou, para ela e para mim – para mim, doutor! – para comer o cabaço dela. Aí é que a coisa complicou de vez, seu Alcebíades. Eu, a tia... Me chamaram de cafetina. E o senhor, doutor, eles disseram que o senhor era réu de um negócio de nome estranho. Deixe ver se eu consigo lembrar. Algo assim, acho que é isto: corrupção de menor. Falaram também de indução à prostituição, diz que é crime brabo, para o senhor e para mim também. E diz que a bronca pior é para o senhor, o tal do estupro, tirar o cabaço da menor à força.

– À força?! Mas eu paguei e ela concordou, Dona Zezé. A senhora é testemunha.

– Pois aí é que está o maior problema, doutor. Ela falou que ficou com medo do seu tamanhão, que não queria mais, que chorou, implorou e gritou. Mas que o senhor estava muito bêbado, bateu nela e prendeu os braços dela. E depois entrou nela com toda a violência, à força. A doutora testemunhou que aquilo foi obra de um selvagem. A coisa ficou preta para o nosso lado, doutor.

   O velho Alcebíades desabou, começou a tremer e a chorar como criança:

– Estou perdido, desgraçado! O que vai ser de mim? Vão querer me prender! E vai dar nos jornais, nas rádios, na TV. Eu vou aparecer como um bandido. Mas o que foi que eu fiz para merecer uma coisa dessas, meu Deus?!

   Nessa hora, em que pese ter que manter a expressão de susto e consternação, Zezé riu satisfeita por dentro. E pensou: O que é que você fez, cafajeste? O que é que você fez?!!! Mas você ainda tem coragem de perguntar, seu ordinário? Pois não chega tudo o que você aprontou com tantas e tantas famílias, até suicídio você provocou, seu animal sem alma, que eu estou sabendo!     
CONTINUA

NÃO É  SÓ VIRAR A OUTRA FACE  
MILTON  MACIEL

Sem essa de só perdoar os inimigos.
Acho pouco.
(e um tanto louco!)

Um homem realmente generoso
tem que ir muito, muito mais além:
Não pode ser mesquinho e rancoroso.
Tem que pensar, e fazê-lo muito bem,
em garantir-lhes prazer justo e merecido.
(assim jamais será, por eles, esquecido!)

Por isso resolvi cultivar um CAVANHAQUE!...

Assim, no futuro, meus detratores poderão,
quando em minha vida meterem seu bedelho,
ter o imenso prazer  de me apodar:
Já foi tarde aquele escritor pentelho,
Ah, aquele maldito BODE VELHO!
AS MULHER BRABA DO BAILE   (poesia gaúcha)  
Vanerão - Letra MILTON  MACIEL  


Diz que criança e borracho,
Deus anda com a mão por bacho.
Pois é verdade, asseguro,
Eu mesmo vi e le juro!
Pois o maula do Antenor,
Depois de tomá umas canha,
Resolveu sacudí as banha
Num baile que, por favor!
Que lá só tinha borracho,
Uns flocho metido a macho,
E um gaitero que é um horror.
O índio, sempre mamado,
Só tocava tudo errado
E errado o povo dançava,
Mas já tava acostumado,
Tanto que nem reclamava.                        17

Bueno, acontece que as china
Já não era mais menina:
Umas piguancha velhusca,
Que chegaro, as seis, num fusca,
Pra vê se arranjava macho.
Levaro foi um esculacho,
Que o Antenor, de cara cheia,
Chamô umas duas de feia
E as otra de gorda e véia.

Pra que? O caldo entornô!
A mulherada se armô,
Pegaro o Antenor de jeito!
Deram nas fuça e nos peito.
Deram nele de chicote,
De madera de caixote
De bainha de facão,
De chute de botinão.
E levou tanto planchaço
Com facão de duro aço,
Que ali mesmo ele arriou.
Só que tava tão borracho,
Pelas canha que tomô,
Que até apanhando foi macho,
Pois dormiu e até roncô.                 41

As seis piguancha era braba:
Veja só o que se passô:
Co’a boca escumando baba,
Nem bem a poera bachô,
A mais alta se enfezô!
Passô a mão num porrete
Deu chute nos tamborete,
E começô a dá pancada.
De raiva, não via nada:
Quebrô metade da venda,
Cinco peão de uma fazenda,
Dez garrafa de cachaça
E um que ria, achando graça.
“Vai ri da tua avó torta,
Me respeita, se comporta,
Seu filho de chocadera.”

Pois o índio fez a bestera
De partí pra cima dela.
Ele quebrô seis costela,
A perna, o joelho e o nariz.
No fim se deu por feliz
De apanhá só esse tanto,
Pois, pra seu maior espanto
No Antenor, que dormia,
As otra cinco batia.                          66

Mas sorte teve o Antenor:
Ele estava tão borracho,
Que Deus pôs a mão por bacho,
Pois, nesse exato momento,
Chegô um destacamento
Da Brigada Militar,
Que o dono mandô chamar.
Entraro, tudo montado,
Pelo salão apinhado,
Descendo a espada nas china.
Mas as piguancha era braba
E quase que a briga acaba
Com todo mundo ali morto.
Oiga-le entrevero torto!                   80

Brigaram por mais duas hora,
Depois alguns foram embora
E os que ficaram, cansaram.
Pelo chão se esparramaram,
Que tinham que descansar
E também que algo tomar.
Ai correu solta a cachaça,
Litros e litros de graça,
Que o bulichero dormia.

Depois, levantaro as guria,
Que a noite ficando fria,
O remédio era esquentar.
Mandaro o gaitero tocar
E foram tirá os soldado,
Que tava meno estropiado,
Pra mode todos dançá.

E já se alegraro as piguancha:
A vanera correndo ancha,
Todo mundo fez as paz.
Dançando tudo agarrado
As piguancha co’s soldado,
E as moça com os rapaz.                102

Mas me diz se tu é capaz
De acreditá nisto aqui:
Nem pense que le mentí,
Sabe a piguancha graúda,
A que quebrô quase tudo,
Índia braba que é um horror?
Agora é mansa a parruda,
Veja que fim macanudo:
Hoje é a mulher do Antenor!  

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O VELHO PAPA-VIRGENS – 5ª. parte
Ou “O descabaçador em Ação”; Ou: "De como duas mulheres inteligentes logram e castigam um velho tarado"
MILTON  MACIEL
Extraído do livro LOLITA DE ARACAJU, A Mais Jovem
Dona de Bordel do Mundo - MILTON MACIEL – Idel – SP

(Este livro é LEITURA PARA ADULTOS. Aos excertos publicados no Facebook e Grupos aplico uma ‘censura’ prévia, amaciando palavras ou eliminando trechos. No blog, o texto é igual ao do livro)

Final da 4a. parte
   Concluído o negócio do empréstimo, Alcebíades pôde então partir para o outro negócio, aquele que o trouxera ali trêmulo como um colegial principiante. Ficava sempre assim, quando chegava a hora sagrada de tirar mais um cabaço. A emoção era sufocante, sentia-se a um tempo exultante e inseguro. Por isso, precisava caprichar na dose da bebida a ser ingerida, precisava de um grande reforço para os nervos, mas não um excesso capaz de fazê-lo capotar – ou pior, broxar! Então já chegou à casa de Dona Zezé ainda mais bêbado do que de costume. O que, face a décadas de consistentes hábitos, não o impedia de negociar seus empréstimos nem de fazer suas cobranças – fosse em espécie, fosse em cabaço. Agora o assunto era bem diferente. Acostumado a ganhar os cabaços sempre através de severas cobranças, desta vez o velho ia ter que adiantar dinheiro seu, dinheiro bom. Mas essa potranca, esse cabaço de ouro, valia o investimento.

5a. PARTE
   Com os cheques agora seguros no cofre murcho dos seios, ‘tia’ Zezé introduziu Alcebíades, nesta noite de mais licor de jenipapo, em seu próprio quarto, aquela modestíssima suíte com o pequeno banheiro. Ela o fez sentar na cama de casal. Ali se dará o ato supremo, a rendição incondicional da virgem, a doce ruptura do pré-pago selo. Começou então uma longa conversa, regada a licor batizado, destinada a fazer subir a tensão, o tesão e o teor alcoólico no sangue do velho farmacêutico aposentado.

   ‘Tia’ Zezé serviu mais um licor ao velho – o décimo sexto, cheio de cachaça como os outros quinze. Quanto mais o velho sátiro bebia, menos percebia o batismo. Álcool sobe rápido, estrovenga de velho, não. Experiente, a ‘tia’ saberia reconhecer o momento certo de introduzir a ‘sobrinha’ no quarto.

   Já tendo chegado de fogo, como de hábito, o farmacêutico agora está mais do que grogue, mais um minuto e vai emborcar. A ‘tia’ mandou-o esperar na cama, mas ficar de cuecas - a menina é virgem, tem muita vergonha. O velho obedeceu. Só então Lolita foi introduzida no quarto, com todo o esplendor de sua beleza adolescente. A ‘tia’ sai, o velho delira!...

   A moça, fazendo-se encabulada, diz que sente vergonha, quer despir-se no banheiro. Pede para o velho esperar sentado na cama, porém de cuecas. Só que dali, estrategicamente, é possível ver-se o banheiro através de um espelho de grandes dimensões.

  A menina vai para o banheiro, cuidando, porém, de deixar a porta aberta. Sabe que, pelo espelho, o homem embebedado a tudo assistirá. Por isso, ela capricha no ritual, usa movimentos lentos, calculados. Tira blusa e sutiã com gestos de sublime timidez. E não esquece de falar alto:

– Não vá entrar aqui, viu! – E continuou a encenar o seu teatrinho especial.

   Tirou a mini-saia, um par de coxas esplêndidas surgiu – o homem enlouquecendo de tesão e de cachaça. Virou de perfil, depois de costas, vendo-se linda no espelho do banheiro. Por três vezes começou a baixar a calcinha, por três vezes a suspendeu novamente – como hesitante, pudica donzela.

   Pelo espelho do quarto, o velho acreditava estar vendo os estertores finais do pudor de uma virgem. Não agüentava mais de desejo e de impaciência, queria ver aquele xibiuzinho, aquele docinho, aquele...

   Mas a menina continuava o ritual, impassível. Lentamente, deliberadamente. Na verdade esperava o sinal combinado, uma tosse alta, com a qual a ‘tia’, que a tudo observava lá do corredor – pelo mesmo e estratégico espelho do quarto – lhe sinalizaria que era a hora de entrar, que a bebida estava enfim vencendo o velho guerreiro.

   A tosse não demorou. Quando veio, a calcinha ainda estava no lugar e ela havia colocado por cima uma anágua transparente, como se fosse desistir, para desespero do velho Alcebíades.

   Ah, ele ia falar, se erguer, acabar com aquilo, comer aquele cabaço na marra. Estava pago! Mas, ao tentar levantar, a tonteira veio completa e o homem desabou de costas na cama. Essa era a deixa. A diretora do espetáculo tossiu, a atriz principal entrou em cena. Viu o homem meio inconsciente, mas o bem-bom estava ali, para fora da cueca, em riste na vertical. Aí a moça, que estava no maior jejum há vários dias, desde a partida do surfista carioca, não se agüentou.  Toda a enorme sensualidade da preparação, a certeza dos olhos cobiçosos do homem sobre ela, a tinham deixado morta de desejo. Arrancou anágua e calcinha, pulou em cima da cama, querendo encaixar-se sobre o velho antes que sobreviesse o iminente desabamento. Quando via aquilo em riste, ela é que perdia todo o controle!

  Foi quando a ‘tia’ pulou no quarto e a arrancou com um safanão de cima do homem:

– Sai daí, sua tarada! Já esqueceu que você tem que agir como uma cabaçuda, criatura!

– Ah, Zezé, a coisa tá ali, me deixa aproveitar só um pouquinho, estou necessitada, faz tanto tempo, você sabe, me conhece!

– Não, sua boba, você tem que se agüentar! Vai que o homem acorda, ou que nem está dormindo direito, e vê você montada em cima. Desde quando uma moça donzela pula em cima de um macho e começa a cavalgar feito louca? Quer estragar o nosso negócio? Nós temos muito o que fazer com esse dinheiro!

   A contragosto, a garota ouviu os argumentos da ‘tia’, sabia que ela, com toda a sua experiência, estava certa. Tinha que se agüentar, o negócio agora era aproveitar a inconsciência do velho e lambuzar suas partes, cuecas e cama com o sangue de fígado bovino que Zezé havia trazido da geladeira. E foi o que fizeram.

   Trabalhando com engenho e arte, Zezé, auxiliar de enfermagem em seus tempos de juventude, espalhou o sangue no lençol e na cueca do velho. Evidentemente, teriam que aplicá-lo também na estrovenga do velho, agora devidamente arriada em compreensível descanso etílico. Lolita prontificou-se para esta parte da tarefa, fazendo-a com evidente gosto e diversão.
   Roncando, engabelado, o velho Alcebíades sonhava com sua própria juventude. Era um grande garanhão, um sedutor, o maior descabaçador de todo o Sergipe.  A glória! E o grande garanhão devaneia, ressona, sorri: mais uma virgem para a sua coleção...

   Na manhã do dia seguinte, Alcebíades acordou de vez, lépido, quase sóbrio, como há muito não usava acordar. Também, depois de uma aventura dessas, acordar ao lado daquela beldade e, ainda por cima, saber que havia conquistado mais aquele cabaço superior, fantástico... Ah, era demais!

   Para sua estranheza, Lolita não estava na cama. Procurou pelo relógio de pulso, encontrou-o sobre o criado mudo: nove e dez! Aí seus olhos caíram sobre a cena apoteótica do seu triunfo: sangue, muito sangue, sangue por toda parte. A mancha na cama era inconfundível, no lugar certo, no tamanho certo. Exultou. Aí olhou para si próprio e viu a cueca manchada. Arriou-a um pouco, viu o sangue em seu próprio membro, sentiu-o pegajoso. Vitória!!
PREFIRO OS POETAS DELIRANTES !  
MILTON MACIEL

Sou um terrível otimista,
um louco sem conserto,
um ufanista.
(Um leso!)
Um destrambelhado e confiante brasileiro!
Se tivesse que me ouvir por meia hora,
Muito antes de poder mandar-me embora,
Comeria, Dr. Freud, o seu charuto inteiro.
(E aceso!)

Preâmbulo feito,
declaro,
a quem interessar possa:
(Minha nossa!)

Prefiro os POETAS DELIRANTES
Aos sorumbáticos.
Gosto-os vivos,
Muito altivos,
Atuantes,
destemidos,
extrovertidos
E fanáticos.
Épicos!

Que celebrem a vida
O gozo, o espanto!
Não a enxaqueca,
A dor-de-corno,
O gosto azedo,
A vida seca,
O próprio medo
E o desencanto.

Gosto-os agourentos,
Rebeldes,
Muito ativos!
E, não, lamurientos,
Melodramáticos
Reumáticos
Catarrentos,
Desditosos,
Chorosos
E passivos.

Prefiro os lunáticos,
do tipo atirado:
Projetados no futuro,
Desprendidos do passado,
Assistemáticos!
Que creiam no amanhã,
mesmo que incerto
e que olhem para a frente, confiantes,
Ainda quando a própria morte está por perto.

Sou um otimista patológico
Que passa todo o dia
Entusiasmado, ilógico,
Imaginando
Escrevendo
Redigindo
E até compondo,
Lá no fundo
Apaixonado,
Lambuzado,
de ALEGRIA!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O VELHO PAPA-VIRGENS – 4ª. parte
Ou “O descabaçador em Ação”; Ou: "De como duas mulheres inteligentes logram e castigam um velho tarado"
MILTON  MACIEL
Extraído do livro LOLITA DE ARACAJU, A Mais Jovem
Dona de Bordel do Mundo - MILTON MACIEL – Idel – SP

(Este livro é LEITURA PARA ADULTOS. Aos excertos publicados no Facebook e Grupos aplico uma ‘censura’ prévia, amaciando palavras ou eliminando trechos. No blog, o texto é igual ao do livro)

LINK PARA PARTE 1:
 
LINK PARA PARTE 2:

LINK PARA PARTE 3:
http://miltonmaciel.blogspot.com.br/2013/05/o-velho-papa-virgens-3.html  

Final da parte 3
  Zezé acabou dando-se por vencida. Ele era um homem sábio, muito mais velho do que ela, tinha razão, toda a razão. Papava a menina e não a deixava grávida. O que se seguiu então foi uma longa e cansativa negociação de valores. Propostas e contra-propostas, o homem pechinchando, a mulher fazendo-se ofendida. No fim chegaram a um acordo: seis mil reais! Para começar outra discussão em seguida: o velho queria a prenda agora mesmo, a tia queria tempo para preparar a menina. Afinal, estavam discutindo aquilo, se desgastando, mas... E se a garota não aceitasse?!

   Então concordaram que era melhor a tia começar o trabalho de convencimento da garota ali mesmo, naquele momento. A tia chamou a sobrinha para o quarto e lá permaneceu por uma

PARTE 4 
boa meia hora, com algumas poucas saídas, nas quais chegava sacudindo a cabeça negativamente, com ar de derrota:

– Está difícil, doutor! A bichinha está resistente – e retornava ao quarto. Lá, obviamente, dedicavam-se a falar de outras coisas e a observar o velho pela pequena fresta que deixavam, ao não fechar a porta completamente. Numa das vezes, viram o homem retirar uma calcinha do bolso, levá-la ao nariz e ficar aspirando, de olhos fechados. Ia ser fácil...

   Zezé voltou à sala outra vez:

– Ah, doutor, parece que ela está apaixonada, já me arranjou um namoradinho. E aí ela quer dar para ele, em primeiro lugar. Acho que o caso está perdido, Seu Alcebíades. Perdido, ai de mim!... – e voltou para o quarto, com ar de desesperança total, balançando a cabeça. Minutos depois, estava outra vez na sala. Trazia uma expressão mais animada. O homem a olhou com renovada esperança.

– Olhe, doutor, vamos ter que dar um dinheiro é para ela, diretamente. Essa história de fazer uma poupança para custear os estudos dela, isso não colou. Ela disse que, se vai ter que perder a virgindade com o senhor, então ela quer dinheiro é não mão dela.

– Ah, mas então já está melhor – alegrou-se o doutor – você pode tirar um pouquinho dos seus seis mil e...

– De jeito nenhum, doutor! Imagine, eu aceitei essa miséria, que não vai dar para nada e já estou arrependida. Olhe, é melhor a gente parar por aqui, então, eu já estou ficando cansada.

– Não, não, tenha calma, por favor! – suplicou o velho.

   Nesse momento, conforme tinham combinado, Lolita apareceu para fazer um reforço promocional. Estava usando agora um shortinho minúsculo e apertado, as carnações perfeitas e generosas transbordando, principalmente atrás, da exígua peça de vestuário. Em cima, apenas um bustiê de mínimas dimensões, deixando quase para fora o mais perfeito par de seios com que o farmacêutico aposentado poderia sonhar. Passou pela sala de olhos baixos, como que envergonhada e tímida, escovando os longos cabelos escuros, sedosos, perfumados. Ai, Jesus!

– Tia, posso sair agora?

– Claro que não, menina! Nós ainda não terminamos o nosso assunto. Volte para o quarto! Já!

   Lolita fez cara de triste, voltou-se de costas para o homem, que foi à loucura com a visão. Demorou-se à porta, como quem não quer entrar, prolongando o espetáculo. Evidentemente, a cotação subiu ainda mais depois desse espetáculo promocional.

– Menina difícil! Ah, doutor, olhe que eu estou com medo. Minha intuição me diz que ela quer sair assim, de repente, para procurar o tal namorado e dar para ele já. Assim ela corta o meu barato, acaba com a pressão sobre ela e entrega o cabaço para o desgraçado – de graça, doutor, de graça, veja só! Que problema!

– Não deixe, Dona Zezé, não deixe, pelo amor de Deus! Esse cabacinho tem que ser meu, tem que ser meu! Ai, eu faço uma loucura, que menina mais linda, mais perfeita, que tesão! Olhe, faça o seguinte – e levou a mão ao bolso, tirando dele algumas notas de cem reais – dê isso aqui a ela, tem quinhentinhos aí, diga que é um sinal de negócio. Que eu dou mais, quatro vezes mais, se ela der para mim agora. Agora!

   Zezé correu para o quarto com as notas na mão. Voltou dois minutos depois, com a resposta da moça.

– Olhe, doutor, acho que o senhor venceu! Essa jogada do sinal de negócio foi um golpe de mestre. A menina arrancou o dinheiro da minha mão!! Concordou que por dois mil reais ela vende o cabaço. Diz que está mesmo louca para dar, que não se aguenta mais. E até falou – veja só, que surpresa! – que se o senhor for bom e carinhoso com ela, quem sabe ela não fica com o senhor depois, em vez de ficar com o tal namorado. Afinal, como ela tinha ficado de dar o cabaço para ele, ela acha que o desgraçado não vai querer saber dela depois de furada por outro. E ela achou o senhor uma pessoa bacana, disse que o senhor é “um moço distinto”. Um moço, seu Alcebíades!

   O velho agiota quase explodiu de contentamento e tesão. Levantou do sofá de um salto, mas Zezé o segurou pelo braço.

– Só que tem um porém, doutor. Ela disse que não vai dar hoje de jeito nenhum, que moça direita não dá nunca no primeiro encontro. E disse que quer se preparar direitinho para o senhor, quer se depilar bastante, tomar um banho longo e especial, se perfumar, arrumar o cabelo. Então eu acho melhor a gente deixar isso para amanhã. Afinal o senhor vai ter que voltar mesmo, com o contrato para eu assinar e o cheque do empréstimo. É melhor assim. Agora, com o sinal na mão, ela só vai querer é pegar o restante. Não tem mais perigo de dar para o namorado, não senhor! Vamos marcar para amanhã à noite, nove horas. Certo?

   O velho farmacêutico murchou de decepção, mas depois lembrou que era mesmo mais prudente concordar. E foi embora fantasiando a noite maravilhosa que teria no dia seguinte, quando iria papar o mais delicioso cabaço de toda sua vida!...

   E assim foi feito. Na noite seguinte, lá pelas oito e meia, o agiota chegou trazendo um contrato e dois cheques. Um, no valor de vinte mil reais, correspondia ao empréstimo, tendo como garantia a casa que, sem receber uma reforma, o experiente usurário havia avaliado em oitenta mil reais. E havia o cheque de seis mil, também, como pagamento à tia pelo cabaço da sobrinha. Para esta, mais mil e quinhentos reais, em notas de cem, rescendendo de novinhas.

   Doutor Alcebíades cumpria, assim, sua parte do trato, mostran- do total confiança na tia. Assinado o contrato por ambas as partes (já viera assinado por duas testemunhas que, rezava no mesmo, estavam presentes naquele momento), o homem explicou que duas das vias ele iria levar ao cartório para lavrar a garantia. Uma vez oficializado esse registro, tornaria uma cópia a Zezé. Enquanto isso, ela ficava com a terceira cópia, para ficar tranqüila.

   Concluído o negócio do empréstimo, Alcebíades pôde então partir para o outro negócio, aquele que o trouxera ali trêmulo como um colegial principiante. Ficava sempre assim, quando chegava a hora sagrada de tirar mais um cabaço. A emoção era sufocante, sentia-se a um tempo exultante e inseguro. Por isso, precisava caprichar na dose da bebida a ser ingerida, precisava de um grande reforço para os nervos, mas não um excesso capaz de fazê-lo capotar – ou pior, broxar! Então já chegou à casa de Dona Zezé ainda mais bêbado do que de costume. O que, face a décadas de consistentes hábitos, não o impedia de negociar seus empréstimos nem de fazer suas cobranças – fosse em espécie, fosse em cabaço. Agora o assunto era bem diferente. Acostumado a ganhar os cabaços sempre através de severas cobranças, desta vez o velho ia ter que adiantar dinheiro seu, dinheiro bom. Mas essa potranca, esse cabaço de ouro, valia o investimento.
CONTINUA 

TODA MULHER É UM POÇO DE MISTÉRIO  
MILTON  MACIEL  

Toda mulher é um poço de mistério
Sempre tem um segredo a esconder:
É seu passado
Ou sua idade
É seu peso
Ou virgindade
(Ou com quem a perdeu de verdade).

Toda mulher é um poço de mistério
Esconde as rugas
E as intrigas
Suas paixões
E as inimigas
Indecisões
E suas fugas.
(E até mesmo o climatério)


Toda mulher é um poço de mistério
Diáfana e sutil, esconde-se na bruma
Da elegância, da classe, da beleza.
E o faz com tal donaire e sutileza
Que esconde até... se acha que é bonita.
(E se outra menina já brincou com sua pipita).

Ah, indecifrável adorada, poço de mistério:
Não ousaria decifrar-te, não sou tão insensato.
O fato é que te amo, que eu te amo é um fato!

Ah, indecifrável criatura, esfinge de mistério:
Entrego-me em tuas mãos: Assume teu império!


terça-feira, 28 de maio de 2013

MINHA AVÓ ERA HOMEM 
MILTON  MACIEL  

Pois é. Sim, é isso mesmo que vocês leram aí. Minha avó... era HOMEM. Já vou explicar. Sabe como é, todas as famílias têm seus segredos. Aliás, quando algum deles é descoberto, sempre é possível recorrer à velha justificativa:Isso acontece nas melhores famílias. Eu, infelizmente, não posso.

É que a minha não pode, de forma alguma, ser incluída entre as melhores famílias. Tenho uma irmã que deu o golpe da barriga num homem rico, já levando para a cama dele, na primeira vez, uma sementinha (Sabem, os bebês nascem de uma sementinha!) gentilmente fornecida por um namorado dela. Como ela fez o otário do meu cunhado acreditar que ainda era virgem (isso eu não vou contar hoje, outro dia eu falo), o cara nunca pensou em fazer um exame de DNA. Ele veio prontamente assumir a responsabilidade por ter feito mal à moça virgem de 20 anos (justiça seja feita, ela, de fato, foi virgem até os 13)  e casou logo, a tempo de a barriga não atrapalhar o casamento religioso. Véu e grinalda, é claro.

Mas não é por isso que eu estou excluindo a minha do rol das boas famílias. Tem muito mais coisa e a mau caráter da minha irmã, que continua aprontando das dela, não tem nada a ver com isso. Nós temos um segredo tenebroso, que é a razão maior da nossa vergonha. Não sei se vou ter coragem de contar aqui, mas pelo menos o lance da vovozinha eu não me importo que os outros saibam. Afinal, já faz tanto tempo e a velhinha já morreu mesmo. Bem, o lance foi o seguinte:

Um dia eu subi ao depósito de tralhas que a gente tem no segundo andar. É um bagunça familiar típica. Gerações de relaxados e porcalhões passaram por ali largando bagulhos e badulaques mil, sempre à espera do dia em que a grande faxina geral vai ser feita. Lá em casa deve haver umas mil camadas de sedimentos inúteis, só um bom arqueólogo poderia começar os trabalhos de remoção.

Bom, aquele era um dia de chuva e de tédio. De repente lembrei do museu dos Martini e resolvi dar uma xeretada. Assim do nada, não pensei em procurar coisa alguma, só xeretar mesmo. É claro que lá é escuro a qualquer hora do dia, amontoaram coisas até o nível do teto, lógico, lâmpada de luz fica sempre bloqueada. Então, quando eu entrei, no primeiro metro já dei uma chifrada de fazer gosto em algo suspenso do teto. Aí me desequilibrei e, pra não me estabacar no chão, deu um salto espetacular. Mas aí caí em cima de uma tábua solta, que girou pra cima e demoliu o meu joelho. Gastei todo o meu estoque de palavrões em questão de minutos, até a dor passar. Aí resolvi dar um jeito na maldita da tábua.

É, eu tenho que admitir aqui pra vocês que eu também contribuo para o mau nome da família. Por causa do meu mau gênio, sabe? Sou um ariano típico, fervo a 10 graus centígrados e quando me irrito, não consigo deixar de soltar as patas. Mas vamos voltar à tábua. Eu desci furioso, peguei uma lanterna grande e o machado. Eu estava tão enraivecido, que acho que passei uns quinze minutos dando machadada a esmo naquele piso. Ainda bem que a maior parte estava mesmo coberta de tralhas. Mas, onde havia um pedacinho de tábua de piso aparecendo, eu lasquei o machado com raiva um sem número de vezes.

Claro, tive que pagar o conserto, depois. O pessoal ficou uma fera comigo. Não por causa do estrago, mas porque tiveram que tirar toda aquela tralha mofada e fedida e espalhar pela garagem e pelas outras peças da casa. Minha irmã caçula não fala comigo até hoje, quase um mês depois. Mas isso não interessa, vamos voltar à tábua quebra-joelhos.

Pois é, quando eu fui obrigado a parar minha obra prima de demolição, porque estava tão suado e com tanta dor nos braços que não agüentava mais nem o peso do machado, eu sentei no chão, no lugar onde a agressora tinha estado. E aí, pra minha grande surpresa, eu vi uma caixa preta que estivera escondida debaixo daquela tábua. Apanhei-a com o coração na mão. Podia ter um tesouro lá dentro, jóias, moedas de ouro, sei lá! Pelo menos, nos filmes sempre tem. Que nada! Dentro só tinha um diário e um álbum de fotografias. Levei a caixa com seu conteúdo pro meu quarto, de qualquer forma aquilo era um descoberta arqueológica minha e, mesmo se não tivesse valor algum, não era idéia minha compartilhar meus achados com ninguém.

Mas quando comecei a ler o diário e a olhar as fotografias, eu levei o maior susto. Cara, a minha avó Tereza era HOMEM! É isso aí, no duro. A velhinha que eu conheci e da qual lembrava com tanto carinho, era um velhinho. A manobra aconteceu quando ela e o meu avô chegaram ao Brasil, vindos da Itália. Vinham fugidos da segunda guerra mundial, que tinha feito um arraso total na vila deles. Os dois eram muito amigos e embarcaram como clandestinos no mesmo navio. Aí sabe como é, meses de viagem, os dois juntinhos escondidos,  amontoados em baixo das lonas no porão de cargas, acabou rolando um clima. Você precisam ver como o sacana do meu avô contou isso no diário dele, páginas e páginas de apimentadíssima pornografia gay, com desenhos que ele fazia a toda hora, pra explicar melhor. 

No dia do desembarque, eles tinham que se misturar com o povo e mostrar os documentos de imigração. Que eles não tinham, é claro. Mas aí o mau-caráter do meu avô conseguiu roubar os passaportes de um casal de genoveses da 3ª. classe, deixando o cravo pros coitados, bem típico desta minha família de safados. Aí o carinha que ia ser a minha avó conseguiu surrupiar uma mala de mulher e aproveitou para se vestir com um dos vestidos que estavam lá dentro. Ficou de chinelas mesmo, lascou um lenço na cabeça, e os dois conseguiram desembarcar.

Assim começou a história da minha família no Brasil, os Martini. Que era o sobrenome dos genoveses, vejam só! Por aí você vê como essa família começou mal, com esses dois boiolas pilantras, não podia dar em boa coisa! Vê também que meus avós foram os pioneiros do casamento gay no Brasil. E eles mantiveram a farsa por todo o sempre. Vovô Albino e Vovó Tereza, nascidos, criados e casados em Gênova, Itália - Que mentirosos!

Com o tempo, como vovó fosse estéril, coitadinha, eles adotaram uma menininha (minha mãe) e dois menininhos gêmeos (meus tios). Que nunca souberam que eram adotivos, o que é incrível, porque tanta gente sabia das adoções.  E a coisa andou bem, vovozinha querida na cozinha e cuidando da casa, dos filhos e depois dos netinhos (olha eu ali!), e vovozão trabalhando na cidade.

Foi bem até o dia que a velha bateu com as dez de repente, coração. O velho estava viajando, os filhos já adultos tinham se mudado pra outra cidade, minha mãe sozinha ali não aguentou o rojão. Sempre teve medo de defunto, mesmo sendo a mãe não quis saber de chegar perto. Pediu que o cara da funerária viesse, levasse o corpo e tratasse de tudo, até dos documentos. O que ele fez, é claro, por uma boa grana. Agora imagina a surpresa dele quando tirou as roupas da velha para lavar o cadáver e deu de cara com aquele pacotão no lugar errado. A velha era HOMEM!

O agente funerário era esperto o bastante para saber que tinha tropeçado numa mina de ouro. Ficou bem quieto, esperando meu avô voltar. O velho nunca que ia querer que a família e a cidade toda ficassem sabendo daquele escândalo velho de décadas. De fato, depois que ele mostrou a meu avô as fotografias que fez, com a vovozinha vestidinha de mulher, com parte de baixo exposta e com a vovozinha peladinha, aparecendo em primeiro plano aqueles penduricalhos murchos, o velho Albino ficou nas mãos dele. Começou a extorquir o vovozinho toda semana. Mas ele não sabia que vovô não era genovês coisa nenhuma, era um calabrês de sangue quente. Na terceira semana, ele marcou com o papa-defunto num lugarzinho mais conveniente e despachou o cara com dois tiros nas fuças. A polícia nunca ficou sabendo quem era o assassino.

Pois é, agora vocês sabem: O assassino foi meu avô! Meu avô era assassino e homossexual. Já minha avó era bichona mesmo. Me diga se não é um baita segredo de família, desses que, quando se joga no ventilador, espalha coisa pra tudo que é lado. Pronto, contei tudo!

Bem, tudo não. O maior e o pior segredo da nossa família bem poucas pessoas conhecem. Eu vou contar pra vocês aqui em particular, porque confio na discreção de vocês. É um segredo de lascar, a gente tem a maior vergonha dele. Mas, bom, paciência, eu estou cansado de carregar essa cruz sozinho, peço que vocês me ajudem a levá-la um pouco. Mas seja discretos, pelo amor de Deus. Senão eu vou ter que mudar de cidade, mais provavelmente eu opte por sair do Brasil. Não, é muita vergonha mesmo, até pra um cara de pau como eu. Sabem o que é?

Bem, meu irmão é DEPUTADO FEDERAL! É, é horrível mesmo, eu aceito a piedade de vocês. É muito vexame mesmo! O filho da puta (desculpe, mãe, é jeito de falar) já se reelegeu duas vezes, portanto é dos piores que existem naquele covil de Brasília. A gente faz que não conhece, quando a imprensa procura alguém da família, nós todos negamos, ameaçamos processar, damos umas porradas nos caras, tomamos o maior cuidado pras crianças não descobrirem. Sabe como é, traumas de infância são coisas que a gente carrega pelo resto da vida.

É isso, desabafei. Mas agora, por favor, mostrem que são meus amigos. Não contem essa barbaridade pra ninguém! Pelo amor dos seus filhinhos! Jurem pelo que há de mais sagrado. Eu NÃO SOU irmão de DEPUTADO FEDERAL. NÃO SOU!!!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O VELHO PAPA-VIRGENS – 3ª. parte
Ou “O descabaçador em Ação”
MILTON  MACIEL
Extraído do livro LOLITA DE ARACAJU, A Mais Jovem
Dona de Bordel do Mundo - MILTON MACIEL – Idel – SP

(Este livro é LEITURA PARA ADULTOS. Aos excertos publicados no Facebook e Grupos aplico uma ‘censura’ prévia, amaciando palavras ou eliminando trechos. No blog, o texto é igual ao do livro)

LINK PARA PARTE 1:
 LINK PARA PARTE 2:


Final da parte 2

– Será, Lolita? Quanto será que um homem assim daria pelo seu cabaço?

– Ah, isso deixe comigo, meu amor! Pode deixar que eu me garanto. Deixo o indivíduo louquinho por mim, babando, desatinado. Aí a gente faz o preço máximo pelo cabaço virtual da sua amiga aqui. Mas isso não vai ser tudo, é claro. Você vai pedir um empréstimo para ele, primeiro. Um dinheiro muito maior.

– E será que ele empresta para mim?

– Dê só uma olhadinha na sua avalista aqui – e ergueu a saia.

PARTE 3
O descabaçador em ação

   A primeira providência a tomar ficou a cargo de Zezé, é claro: descobrir se Alcebíades, o maior descabaçador de Sergipe, ainda estava na ativa e disponível. Isso a doutora Celine descobriu com meia dúzia de telefonemas, sem perguntar por que Zezé queria a informação. Na mesma tarde em que esta lhe ligou, a doutora deu a resposta, agora para o novo e flamante telefone celular de Zezé. Por instâncias de Lolita, Zezé comprara dois telefones celulares em seu nome, um para cada uma delas. Celine passou a resposta positiva, endereço, telefone e últimas peripécias sabidas do velho fauno. Sabia-se que, no momento, estava espremendo uma costureira pobre de Barra de Coqueiros, a qual tinha duas sobrinhas, de dez e doze anos.

   De posse da certeza sobre a disponibilidade da presa, as duas mulheres marcaram uma entrevista com o mesmo por telefone. Como de hábito, Alcebíades não recebia ninguém em sua casa e não tinha escritório comercial. Ele mesmo ia à casa da futura vítima, verificar in loco como esta vivia e como era o imóvel, caso fosse casa própria. Zezé tinha casa com escritura e sem ônus. Cliente perfeita!

   Que se tornou mais que perfeita quando o velho chegou, alto de cachaça como de hábito, e pousou os olhos sobre a plástica enlouquecedora de Lolita. A partir desse momento, não conseguiu mais tirar os olhos da menina. Zezé ajudou como pôde, passando-lhe cálices e mais cálices de um licor de jenipapo, devidamente batizado com providenciais doses prévias de cachaça. Altíssimo e em cima dos cascos por causa da garota, o velho aprovou de imediato um empréstimo de vinte mil reais, tendo a casa como garantia. Anotando a custo, com a mão trêmula, os dados da escritura, falou que voltaria no dia seguinte com o contrato para assinar e o cheque. Esticou o que pôde sua presença na casa e, a pretexto de tudo examinar com cuidado, entrou em todas as peças da mesma. Do quarto de Lolita, surrupiou de sobre a cômoda uma das calcinhas, que escamoteou no bolso rapidamente, mas não tão rápido que a menina não o pudesse perceber.

   Afinal, ela havia deixado roupa íntima à mostra de propósito. Quando o velho passou pela cozinha, viu a menina abaixada, de joelhos, esfregando o piso com uma escova, a bunda monumental à mostra, calcinha pretinha de renda. Ao ver que o homem a estava olhando, deu um gritinho e saiu correndo, com a mão no rosto, super envergonhada. Isso deixou o agiota desesperado por aquela franguinha. Tinha que ser dele, de qualquer forma!

   Agora Zezé já podia terminar de dar corda no homem. Dois licores depois, pediu para que ele sentasse com ela na sala, enquanto começava a se queixar da dureza da vida, de como ficara sobrecarregada tendo que acolher e sustentar aquela sobrinha recém-chegada do interior de São Paulo, onde a falecida irmã havia residido. A mocinha era boa e ingênua, claro que era donzela, menina de caráter. Só que, apesar de todo aquele tamanhão de mulher, tinha só quatorze anos e, pela lei, não podia procurar um bom emprego numa fábrica, o que exigiria que já tivesse dezesseis completos.

   O velho sátiro foi ficando cada vez mais entusiasmado, à medida que Zezé mais se queixava da vida e de como ia ser difícil dar comida, roupa e escola para aquela sobrinha:

– E para piorar, seu Alcebíades, o pior de tudo mesmo, é que essa menina está na força da idade, o senhor compreende. Parece que tem uma coisa, um fogo que atrai tudo quanto é macho. Também com toda aquela belezura, seu Alcebíades, me diga só!  A diabinha é bonita demais, nunca vi tanta formosura assim. E aí é que vai ser a minha desgraça, o senhor compreende? Não dou dois meses e a tal desgraça acontece, ela perde a virgindade e ganha uma barriga. Que quem vai ter que sustentar vai ser a burra de carga aqui. Isso é o que eu vou ganhar por acolher essa menina na minha casa, veja só. Se ao menos ela tivesse algum dinheiro dela, tivesse uma herançazinha, por pequena que fosse, vinda da mãe. Mas qual, aquela desmiolada era mãe solteira e, como herança, só deixou foi esse abacaxi para mim! Não tinha nada de seu, não tinha onde cair morta.

– A... A senhora falou... Se ela tivesse um dinheirinho dela, uma herança... Por quê?

– Bem, se ela tivesse uns poucos mil reais eu até que não me assustava tanto. Mandava ela para a casa de uma prima que eu tenho lá em Juazeiro do Norte, no Ceará. Aquela, se a gente der um dinheiro para ela, aceita qualquer coisa. Pois que fique com este presente de grego que eu recebi sem pedir.

– E... E quanto a senhora acha que ia ter que dar para essa sua parenta? A senhora tem certeza que a menina é virgem? – o velho já não se controlava mais, traía-se, começava a ir direto ao assunto.

– Ah, seu Alcebíades, aquilo é louca por dinheiro, é o cão em pessoa. Eu não consigo nada se não der uns dez mil para ela, no mínimo. Claro que ela vai pedir muito mais, mas eu sei que dá para negociar. Mas é justo, ela é que vai passar pela vergonha de ficar falada quando a menina perder o cabaço e acabar de barriga. E aí vai ter que sustentar mãe e filho, uma barra!...
     
Mais um licor de jenipapo batizado e o velho perdeu de vez as estribeiras, foi direto ao assunto. Propôs pagar para ter o cabaço da menina! Afinal, logo, logo, algum moleque ia acabar com ele mesmo e aí, adeus! Nenhum lucro para Dona Zezé, a tia dedicada. Assim ela poderia ficar com o dinheiro e a moça, ou mandá-la para o Ceará, se livrando do problema, o que melhor lhe aprouvesse.

   Zezé se fez de ofendida, disse que era uma mulher honesta. O homem garantiu que tinha certeza disso, mas que o que ela tinha que considerar era a oportunidade única de ter algum ganho pessoal com aquela menina, enquanto ela podia lhe proporcionar o mesmo. Do jeito que Dona Zezé lhe falara, quem sabe amanhã, quem sabe hoje mesmo, não acontecia a desgraça. E aí, foi-se cabaço, foi-se dinheiro; e era bem possível que viesse a tal barriga. Ele, Alcebíades, tinha a vantagem de ser vasectomizado, nunca fizera filho em mulher alguma, exceto na falecida, ainda nos tempos de casado.

  Zezé acabou dando-se por vencida. Ele era um homem sábio, muito mais velho do que ela, tinha razão, toda a razão. Papava a menina e não a deixava grávida. O que se seguiu então foi uma longa e cansativa negociação de valores. Propostas e contra-propostas, o homem pechinchando, a mulher fazendo-se ofendida. No fim chegaram a um acordo: seis mil reais! Para começar outra discussão em seguida: o velho queria a prenda agora mesmo, a tia queria tempo para preparar a menina. Afinal, estavam discutindo aquilo, se desgastando, mas... E se a garota não aceitasse?!

   Então concordaram que era melhor a tia começar o trabalho de convencimento da garota ali mesmo, naquele momento. A tia chamou a sobrinha para o quarto e lá permaneceu por uma
CONTINUA