quinta-feira, 17 de agosto de 2017

LIVROS DE MILTON MACIEL 2017
Anunciando o lançamento da Série "Como Escrever Ficção"
Vols.1 e 2 disponíveis a partir de 20 de setembro:
Vol. 1 - A ARTE E A TÉCNICA DO ROMANCE - 280 pg
Vol 2 - A ARTE E A TÉCNICA DO PERSONAGEM  - 216 pg
Lançamento: Dia 20 de Setembro de 2017, na Academia Joinvilense de Letras, Salão Nobre da Sociedade Harmonia Lyra, às 19:30 hs, durante a FESTA GAÚCHA.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

QUANDO TEREMOS A PRIMAVERA DE ANNE E FARIDA?
MILTON MACIEL

Senhores da Guerra, morte e escuridão
fazem-nos a Terra toda em cova rasa.
Enriquecem, vendem armas, ambição
que destrói, sem piedade, a humana casa.
E a monstruosidade racista da opressão
lança a bomba que a tudo em volta arrasa.
Contudo,
A primavera que Anne Frank sonhou em seu porão,
É a mesma que a menina Farida sonha em Gaza
 
Quando chegaremos a viver, menina Anne, menina Farida,
A Primavera que vocês sonharam e não tiveram nesta vida?

sábado, 12 de agosto de 2017

ESCUTA-ME! 
MILTON MACIEL (rimas internas cruzadas)
 
Escuta-me.
Mas tem cuidado, por favor.
Todo meu ser está cansado:
Mal de amor! Como viver
com este fado? Entende-me.     
   
Mas tem paciência, te suplico.
Pois vago assim na impermanência
Onde fico, sem ter de mim
mais consciência. Apoia-me.
 
Mas tem firmeza, sê constante.
Pois que oscila, minha alma, na incerteza
 angustiante. E, sem força, atônita vacila
em sua tibieza. Ajuda-me! 
 

Mas tem carinho, por piedade.
Pois que, transido, cansei de lutar sozinho
contra a saudade e o abandono descabido
dos quais definho. Compreende-me!  
    
Oh, por favor, escuta-me!

sábado, 5 de agosto de 2017

NO CAIS, A ESPERA
MILTON MACIEL

Anseiam seios, no seu peito arfante,
Pelos lábios febris daquele amante
Que arrebatou, o mar, pro Novo Mundo.
Cavo sonido vem do peito ardente,
Mais um soluço, que num de repente,
Irrompe oriundo de um pesar profundo.


Vazias mãos, qual aves desnorteadas,
Em vão se agitam, sonham ser tocadas
Por mãos ausentes do seu bem-amado.              
Ele se foi,  arrrebatou-o a caravela,
No Tejo ele acenou, a despedir-se dela
E foi para os Brasis, a enfrentar seu fado.


Há mais de um ano, abisma-se ali ela.      
No cais de Lisboa espera a caravela,
Que traz seu homem pelo inferno aquoso.
Américo Vespúcio e Gonçalo Coelho
Levaram seu amado, nesse destrambelho,
A arrostar os perigos do Mar Tenebroso.


Cada nau de velas brancas a apontar no Tejo,
Faz seu corpo estremecer, agoniado arpejo,
Na esperança de que o rio devolva sua vida.
Por centenas de dias ela espera, aflita,
Que o mar e o rio encerrem sua desdita,
Que a volta do amado pense-lhe a ferida.


Hoje, mais uma vez, a espera deu em nada.
Amanheceu tensa no cais, com a madrugada;
Chegaram duas naus, escaleres aportaram.
“Vêm dos Brasis!” bradou alto um marinheiro.
Ela esperou descer o homem derradeiro
E seus anseios, novamente, se frustraram.


Nenhum era ele. Mais um dia... frustração.
Olhos ardendo, lágrimas, sono; a exaustão!
Desfaleceu ali, sobre uma pedra do cais.
Sonhou: ele viera; e, amoroso, ele a chamava.
Abriu os olhos. Deu um grito: ELE VOLTAVA!
E, abraçando-a, dizia: “Não parto nunca mais!


Sofri ataques de índios, traições e emboscadas.
Fui prisioneiro, tive minhas pernas fraturadas,
Estive por morrer bem mais do que uma vez.
Nada doeu-me, porém, mais que a tua ausência!
Mas, pensando em ti, encontrei força e resistência,
Tinha que voltar e esposar-te, salvar tua honradez.


Do bendito pau-brasil, está a nau toda abarrotada,
Ganhei muitos ducados, valeu-nos a empreitada,
Pois agora posso ser, finalmente, o teu marido.”


Ela estremeceu, sentiu-se flutuar, feliz e amada.
A longa espera estava enfim recompensada:
Ali em seus braços, de volta, o seu querido!



segunda-feira, 31 de julho de 2017

VIDA, VIDA, VIDA
MILTON MACIEL

         (Para Lucinda Clarita Boehm)


E o que é a Vida?

Não são estes escassos minutos cósmicos fendidos,
Que vivemos entre haustos sutis de eternidade,
Ilusão fugaz de quem olha pra Verdade
Obnubilado à pouca luz da vã Matéria.
Ao desmaterializar-se o Ser, à luz etérea,
Fulge a alma livre de qualquer passada escória.

A vida é isso:
A vida é só memória,
É sulco, é fenda, é trajetória.
A vida é isso:
A vida é história!

Não é o mal viver da humana queixa.
Não é o que se leva. É o que se deixa!


sábado, 22 de julho de 2017

FERNANDO PESSOA era ASTRÓLOGO PROFISSIONAL
MILTON MACIEL

O maior dos poetas portugueses contemporâneos, Fernando Pessoa, manifestava grande interesse por assuntos esotéricos. Revelações feitas pelo escritor português Paulo Cardoso no livro “Mar Português e a Mensagem Astrológica”, mostram um Fernando Pessoa muito mais envolvido com a Astrologia do que se supunha até então.

O longo e persistente trabalho de investigação de Paulo Cardoso foi possível a partir do momento em que os familiares de Pessoa doaram todo o espólio cultural do poeta ao governo português. Paulo foi uma das poucas pessoas a obter autorização para manusear o impressionante acervo de 30 mil documentos originais, manuscritos ou datilografados.

O que ele descobriu, boquiaberto, é que nada menos que 2700 desses documentos se referem a assuntos de numerologia, geometria sagrada e, esmagadoramente, de Astrologia. Aos olhos do pesquisador foi aparecendo aos poucos um Fernando Pessoa astrólogo. E um astrólogo profissional, que cobrava por consultas dadas, com uma tabela de preços encontrada em um manuscrito de próprio punho, com preços para interpretação simples, interpretação média e interpretação avançada.

Mas a coisa não parava aí. Paulo Cardoso descobriu que Pessoa definia seus heterônimos astrologicamente. Aplicava técnica eletiva até encontrar um mapa que mais se assemelhasse com o heterônimo que tinha em mente criar. Em seu livro, Paulo Cardoso reproduz o mapa, feito pelo poeta, de seu heterônimo Ricardo Reis, o médico. Este, Álvaro de Campos, o engenheiro e Alberto Caeiro, o pouco culto, são os três mais conhecidos heterônimos usados pelo poeta.

Mas o que mais impressionou Paulo foi descobrir o heterônimo Raphael Baldaya, que Fernando Pessoa apresentou como sendo o mais velho e o mais sábio de todos e que era astrólogo!
 
Sob esse nome fictício, Pessoa elaborou um projeto editorial que lhe era especialmente caro ao coração: a publicação de um livro técnico de Astrologia, com o nome “Essays in Astrology” – Ensaios de Astrologia. Na revista “Delphos Astrologia, Vol. 1 No. 2 foi publicado o fac-símile da página original, datilografada pelo próprio poeta, que é reproduzido no fim deste artigo.

O texto está datilografado em inglês, a segunda língua de Pessoa, já que ele viveu muitos anos estudando na África do Sul. Uma grande parte dos originais de Pessoa é redigida em inglês, já que esse fantástico geminiano até nisso exibia sua dualidade: era absolutamente bilíngue.

Aliás, a manifestação da multiplicidade de talentos de Fernando Pessoa é uma exteriorização do seu multifacetamento interior. O que ele aprendeu a equilibrar com o auxílio da Astrologia, criando com ela os seus heterônimos, seus diversos eu-mesmo, seus personagens internos.

Fernando Pessoa tinha o Sol em Gêmeos e Mercúrio, seu dispositor, no sensível e poético signo de Câncer. Ali, na casa XI natal, recebia a dupla quadratura de Marte e Urano, conjuntos em Libra. Uma estrutura planetária que indica a existência de um possível hipertireoidismo em Pessoa.

Como escreveu Paulo Cardoso:

“A Astrologia vai-lhe ser uma filosofia de apoio, o fio que lhe permitirá habitar e viajar o labirinto de sua interioridade, enveredar por sua irresistível vocação de descobridor dos meandros do seu próprio processo intelectual, sem que corresse o perigo de cisão total com o exterior, com o mundo, o risco de ficar eternamente fechado, hipnotizado, extasiado, sucumbido no delirante ritmo de sua mente. A Astrologia foi pois, a partir dessa altura, a fórmula que respondia assiduamente às dúvidas que se lhe punham acerca de sua sincronia com a vida e com o mundo.”

Projeto do livro de Astrologia de Fernando Pessoa, que não chegou a ser publicado em razão da morte prematura do poeta:

ESSAYS IN ASTROLOGY
By Raphael Baldaya

I – The conventions in Astrology
1)      The intellectual zodiac
2)      The measures
3)      The attributions
II – The zodiac
III – Directional Astrology
IV – Symbolic directions
V – Prenatal figures
VI – Mundane Astrology
VII – Defense and justification of Astrology
VIII – Horary Astrology
IX – The sorts
X – The fixed stars  
XI – Transits and eclipses
XII – General reading of the nativity
XIII – The mundane houses
XIV – The foreign element in Astrology
          Rejection of the Occult Element, of the Symbolic element

 
 
















EU TAMBÉM USO ESSE MESMO RECURSO, MAS PARA A CRIAÇÃO DE MEUS PROTAGONISTAS. 

LOLITA DE ARACAJU, personagem do meu primeiro romance, é uma paulistinha, nascida em Brotas, interior de São Paulo. Quando tinha 16 anos, tornou-se dona de um bordel em Aracaju, ficando riquíssima em poucos anos. Era completamente paranormal. Fiz o mapa para essa mulher atraente, sensual e poderosa em 2008, quando escrevi, em 90 dias, o livro que tem o mesmo nome dela e que ficou com 320 páginas.

Muito anos depois, em Novembro de 2015, comecei a escrever, em um hospital onde estive internado por 2 dias apenas, em Timbó, SC (fica a  90 km da cidade onde vivo), o meu 9o. romance, LUA OCULTA. Criei a protagonista da história, a belíssima Larissa Silva, Miss Amarante (nome fictício que dei para Timbó, SC)  e fiz seu mapa astrológico. Ela estava com 23 anos quando de sua criação. Só muito tempo depois percebi que ela era coetânea da Lolita de Brotas, criada 7 anos antes. Surpreendentemente, as duas tinham nascido em 1992, com a diferença de apenas 1 mês, e quase na mesmo momento; Lolita é Escorpião e nasceu às 6:03 da manhã, em Brotas. Larissa é Libra, nascida às 6:02 em Timbó. Ambas nascidas no momento em que a Lua Nova cruzava o ascendente. Terminei LUA OCULTA em maio de 2016 e ele acabou ficando com impressionantes 1088 páginas.

Ter os mapas astrológicos "natais"  de meus personagens me permite saber porque eles fazem o que fazem e quais serão suas reações ante as mais diversas circunstâncias. Também posso saber de antemão as aspectos de suas Sombras (no sentido junguiano, psicológico, do termo) e, portanto, quais seus medos, bloqueios e processos de autossabotagem. E, importantíssimo, quais seus anseios e desejos maiores e quais os preços que terão que pagar para poderem passar pela transformação e  crescimento que são o cerne mesmo da cada história. Também ajuda demais saber qual o perfil de relacionamentos de cada personagem, tanto amorosos, quanto familiares.

Anexo aqui os mapas de LOLITA DE ARACAJU, a mais jovem dona de bordel do mundo e de Larissa Silva, a Miss Amarante de LUA OCULTA.

Nos meus 10 romances publicados, os protagonistas são sempre mulheres. A exceção corre por conta  dos históricos "João Ramalho no Paraíso" e "A Guerra de Jacques", de 2017, recentemente lançado. 

Mapa de LOLITA DE ARACAJU

Mapa de LARISSA SILVA



terça-feira, 18 de julho de 2017

POR UMA MASCULINIDADE SADIA – 2a. parte
MILTON  MACIEL
AS RAÍZES PSICOLÓGICAS DO MACHISMO 
        “Homens e mulheres já nascem machistas. Isso é o que muito pouca gente percebe. Enquanto se desenrola a luta secular das mulheres por emancipação, tremendas forças inerciais resistem ao seu avanço, apresentadas por homens e, paradoxalmente, por mulheres também. São forças inconscientes e coletivas, são os arquétipos da sociedade patriarcal e machista, formados ao longo dos últimos dez mil anos, que se impõem, irresistíveis, desde o fundo do inconsciente de meninas e meninos, minando toda possibilidade de harmonia e cooperação entre os gêneros, desde a mais tenra infância. Arquétipos são figurações multimilenares do inconsciente coletivo.
     Estamos literalmente programados, tanto homens quanto mulheres, para sermos machistas. Essa programação brutal precede o nosso nascimento. Somos, portanto, machistas de nascença. Por muito tempo ficaremos dominados por essas forças incoercíveis. As mulheres tomam consciência delas muito cedo, porque serão, desde meninas, vítimas permanentes desse machismo latente, oculto, que se exterioriza para submergi-las em um mundo de medo e de exploração. Os homens tardam mais a perceber seu papel opressor. Eu, um gaúcho típico da fronteira com o Uruguai, onde vivi até os 14 anos, precisei de quase cinco décadas para cair na real e perceber que o pior no machismo é o fato de ele ser atávico e oculto, inconsciente.” 
Excerto extraído de: [Milton Maciel -  O Machismo Oculto, in: “A Bela Morde a Fera” (IDEL, São Paulo, 2009 – pg. 288)]
   As mulheres, embora vitimadas pelo machismo, não conseguem perceber que são, ao mesmo tempo, suas propagadoras de geração a geração. Compelidas pela força inconsciente do arquétipo, criam suas filhas para serem A Bela, para serem submissas; e seus filhos, para serem dominadores. Ensinam a elas que elas são fracas e que não são capazes de defender a si próprias quando agredidas ou desrespeitadas, que só um homem poderá defendê-las. Nada pode ser menos verdadeiro. O homem será, quase sempre, o agressor!
   Já mães e pais criam seus meninos para serem A Fera,  para serem agressivos, fortes, competitivos, ferozes até. E, dessa forma, castram completamente a possibilidade de um crescimento em que exista respeito e integração verdadeiros entre meninas e meninos, o que vai perpetuar a raiz da futura infelicidade conjugal, de lares emocionalmente desequilibrados, berço para uma nova geração de crianças emocionalmente desbalanceadas, incompletas afetivamente, futuros agressores e agredidas, a ferirem-se uns aos outros inapelavelmente, infelizes no amor, insatisfeitos no sexo. 
O machismo é a nossa grande chaga coletiva, a gênese da nossa infelicidade amorosa.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

POR UMA MASCULINIDADE SADIA
MILTON MACIEL

Os números do medo e da covardia: A OMS – Organização Mundial da Saúde – relata que, em todo o mundo, 50% de todas as mulheres assassinadas são vítimas de seus próprios homens, marido, amante, namorado – atual ou ex. Há vários países em que mais de 70% das mulheres foram ou são vítimas de agressão física contumaz e onde mais da metade delas relatam que sua primeira relação sexual foi forçada. 
 
Quando, em 2009, Ellen Snortland e eu lançamos nosso livro "A BELA MORDE A FERA" em São Paulo, fomos convidados pelo Geledès – Instituto da Mulher Negra – para fazer uma apresentação no Hospital de São Mateus, da Prefeitura paulistana, onde funciona uma unidade para mulheres agredidas. Havia cerca de cem mulheres, sendo 80 delas as agredidas, mais algumas assistentes sociais, psicólogas e enfermeiras do hospital. 
 
Ellen – uma brilhante ativista, escritora, jornalista e instrutora de autodefesa de Los Angeles, USA – falou a elas, enquanto eu fazia a tradução para o português. A seguir Ellen fez várias demonstrações de movimentos de autodefesa feminina contra as diferentes formas de agressão. Só algumas poucas mulheres não puderam nos assistir naquele dia: elas estavam imobilizadas em leitos da enfermaria, impossibilitadas de se moverem, tal a gravidade dos ferimentos e fraturas a que foram submetidas pela covardia selvagem de seus agressores.
 
Mas foi o caso de uma dessas ausentes o que mais nos chocou. Ela estivera internada até um par de dias antes de nossa apresentação. O ex-companheiro, não aceitando a separação, como é tristemente usual, jogou nela um balde de gasolina e ateou fogo. Ela ardeu por inteiro e agonizou por uma semana no Hospital de São Mateus. Não resistiu. Morreu – horrivelmente desfigurada.
 
Felizmente desta vez o castigo veio rápido, o que quase nunca acontece. O imbecil não percebeu que uma parte da gasolina arremessada com força sobre a mulher simplesmente respingou em sua própria roupa. Ou seja, ele também queimou junto! Só que com muito menos gravidade. Socorrido ao mesmo hospital, padeceu dias de agonia e dores atrozes, até poder ser removido e escoltado pelos policiais de plantão para a delegacia e, posteriormente para a prisão. Onde outros presos, gentilmente, o ajudaram a se livrar do planeta Terra ligeirinho.
 
Pois a causa de todas essas desgraças atende por um só e único nome: MACHISMO! E é aí que nós, homens, temos a obrigação de intervir e entrar na luta para interromper a propagação da eternamente repetida violência física, psicológica e sexual contra a mulher. (A CONTINUAR)

sábado, 15 de julho de 2017

IT'S SATURDAY
F#m - Songwriter MILTON MACIEL

It's Saturday
and by the way,
here is something
I have to say:

A caring hug,  a tender kiss
and telling her "I miss, I miss
your body warmth
inside my arms,
your presence here,
'cause in my heart
you're always there.


You're always there,
inside my skin,
Singing this love
is all I mean."
It's Saturday,
a blessed day,
because she's here,
because she's here

sábado, 1 de julho de 2017

Pediatras americanos recomendam ler para bebês DESDE O SEU NASCIMENTO!
MILTON MACIEL (Crônica Jornal do iririu, 26/7/17)

Gal Costa me contou que sua mãe, Mariinha, quando estava grávida desta sua única criança, parava tudo o que estivesse fazendo à uma da tarde, sentava-se e colocava o radio sobre a barriga. E durante uma hora, todos os dias, durante toda a gestação, sintonizava, com som bem suave, um programa que tocava músicas direto, sem propaganda, PARA QUE SEU BEBÊ PUDESSE OUVIR.

         E Gal me falou que tem certeza que foi isso que influenciou sua única vocação de toda uma vida: “Desde que me conheço por gente, eu sabia que ia ser cantora, sempre quis ser cantora, só cantora.”

Ela me disse que, quando tinha 5 para 6 anos, Sandra e Dedé Gadelha, que já tinham 9 e 8 anos, levavam Gracinha (Gal) e um caixote para uma pracinha pertinho da casa delas, em Salvador; colocavam Gal sobre o caixote e faziam-na cantar para o povo. As pessoas adoravam, as meninas maiores pediam moedinhas para o público e... assim que viam que tinham o suficiente para pagar as entradas da matinê do cinema, saiam correndo para lá e deixavam Gracinha sozinha na praça, em cima do caixote, chorando. Gracinha cresceu para se tornar a maior cantora do Brasil. Sandra cresceu e casou com Gilberto Gil. Dedé cresceu e casou com Caetano Velloso.

Por que estou contando isso? Para chamar sua atenção para este outro assunto: A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomendou que os pais leiam para seus filhos desde o nascimento(!) até pelo menos os três anos, para estimular a aquisição da linguagem e outras capacidades comunicativas. Repito: DESDE O NASCIMENTO. Na verdade, recomendo que o faça desde que sua criança está NO VENTRE. Como Gracinha. Diz a Academia:

“Ler histórias com regularidade para crianças pequenas desde o seu nascimento, estimula de forma ótima seu cérebro e reforça a relação com os pais, em um momento crucial de seu desenvolvimento. Em contrapartida, as crianças desenvolvem a linguagem, o aprendizado da leitura e adquirem capacidades sócio-emocionais para o resto de suas vidas”. PARA O RESTO DE SUAS VIDAS, entendeu?.

Esta recomendação se apóia num fato cada vez mais reconhecido pelos neurologistas: uma parte crucial do desenvolvimento do cérebro se dá nos primeiros três anos de vida. Por isso a APP pede a seus membros que “incentivem todos os pais a ler em voz alta textos para seus filhos pequenos, o que pode reforçar a relação entre ambos e prepará-los para adquirir linguagem e as primeiras bases para a leitura”.

Quando eu tinha 4 anos e meio minha tia Santa me ensinou a ler em um dia. E isso mudou minha vida PARA SEMPRE. Quando entrei na escola eu já era um emérito leitor. Por isso fui sempre primeiro lugar da classe. Depois apliquei a mesma coisa a meus filhos. Ensinei-os a ler entre 3 e 4 anos. E eles foram sempre primeiro lugar na escola. Simples assim. Este ano estou prestes a completar a marca dos meus 40 livros publicados. Para quem o crédito? Para minha santa tia Santa, que me ensinou a ler e me encheu de livros a infância inteira.

Leitor(a): LEIA PARA SEU BEBÊ enquanto ainda é tempo. Toque música suave, sem barulheira, para ele. Tias, ensinem seus sobrinhos a ler entre os 3 e os 5 anos. Ou mães, pais, avós, etc... Vocês não imaginam a moleza que vai ser a vida escolar deles para vocês, depois.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Lançado o décimo romance de MILTON MACIEL
"A GUERRA DE JACQUES"
O Escritor Milton Maciel
Livros de Milton Maciel 2017:

segunda-feira, 19 de junho de 2017

LIVRA-ME, LIVRO 
MILTON MACIEL

Livra-me, Livro, do SILÊNCIO

Porque de ti vem som de vozes e palavras,
Que ouço na mente, ora suaves, ora bravas,
Ora sussurros, meiga poesia, acerba prosa.
Vem-me o sonido da música harmoniosa,
Que cantas desde as pautas e das claves.
Enches-me os olhos com imagens multicores,
Falas de vida, de sonhar, falas de amores
E também gritas o sofrer das horas graves.

Livra-me, Livro, da SOLIDÃO

Porque que em ti está o melhor remédio
Para o olvido, o abandono, para o tédio,
Quando a vida lá fora faz-se escura.
Abro tuas páginas e então - magia pura! -
Saio do meu, pois mergulho no teu mundo.
Horas a fio tu me embalas e me aqueces,
Mostras caminhos, aventuras, mostras preces
E que outros vivem em abismo mais profundo.

Livra-me, Livro, da IGNORÂNCIA

Porque é contigo que aprendemos cada passo.
Desde pequenos foste-nos régua e compasso,
Pois que ensinar é tua mais nobre missão.
Do bê-á-bá aos compêndios de profissão,
Foram tuas páginas as mãos que nos guiaram.
Encadearam-se, dentro em ti, milhões de mentes,
Desde os primórdios até os tempos mais presentes,
Que do cegar da ignorância nos livraram.

Livra-me, Livro, do ORGULHO

Muitos de nós em tuas folhas se embebedam,
Sobe-lhes à mente o Saber tal qual o vinho.
É em saber mais, só saber mais, que se obsedam.
Mas, sem compartir, o Saber se faz mesquinho!
Mostra-nos, Livro, quando nos julgarmos sábios,
Mil bibliotecas, com milhões de alfarrábios,
A que jamais chegaremos... numa só jornada.
Lembra-nos sempre, com teu paternal carinho,
Que nós, no fundo, não sabemos quase NADA!

(Ilustração: Câmara Brasileira do Livro)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

AMANHÃ, sábado, na Feira do Livro de Joinville, das 14 às 18 horas: OFICINA DE PRODUÇÃO AUTOSSUFICIENTE DE LIVROS, com o escritor e editor MILTON MACIEL, presidente da Academia Joinvilense de Letras.
Como escrever dentro de templates, usando somente o Word, Editorar, corrigir e imprimir o texto como cadernos de 32 páginas. Costura e colagem de cadernos. Colocação de capas: brochura e capa dura. Acabamento final. ISBN, Ficha catalográfica, sumário. projeto de capas. Capas duras e encadernação. No Pavilhão Alfredo Salfer. ENTRADA FRANCA.
RESULTADOS DO CONCURSO LITERÁRIO "CARLOS ADAUTO VIEIRA", 
da Academia Joinvilense de Letras
MILTON MACIEL - presidente

   O concurso, direcionado a estudantes do ensino fundamental (6a a 9a séries) e do ensino médio, teve 71 participantes, dos quais 18 se classificaram para a premiação abaixo descrita. 
   A premiação ocorrerá no próximo sábado, dia 17 de junho, às 10 horas da manhã, no palco da Feira do Livro de Joinville. Também os professores e as escolas dos alunos colocados em primeiro lugar de cada modalidade receberão prêmios.
   Os primeiros colocados de cada modalidade receberão um prêmio de 500 reais cada um; seus respectivos professores receberão 250 reais e um vale-livro de 100 reais para a Feira, cada um.. E as 3 escolas dos alunos vencedores concorrerão ao sorteio de um forno de micro-ondas.

RESULTADOS:
POESIA (Ensino Médio): 
1o lugar -Prêmio 500 reais: Há um monstro morando embaixo da minha cama Stefany Velloso Cardozo (SENAI – Unidade Sul / Professora Leila Knabben 
2o lugar: Incompreensão
Erik Luiz da Silva (IFSC – Campus Joinville / Professora Roberta Egert Loose
3o lugar: Lembranças de Criança
Suélin Medeiros (EEB Francisco Eberhardt / Prof. Juliano Riechelmann
MENÇÕES HONROSAS
O Tempo - Rafa Moom – (SENAI – Unidade Sul / Professora Leila Knabben )
O Desabrochar da margarida Isabella da Silva Marques (SENAI – Unidade Sul / Professora Leila Knabben) Tempestade - Gabriela Karoliny Vieira (SENAI – Unidade Sul / Professora Leila Knabben)

CONTOS (Ensino Médio):
1o lugar: Prêmio 500 reais: As provações de Ártemis
Gabriela Henkemeier (C.E. Machado de Assis / Prof. Tauann Calil Medeiros)

2o lugar: A bruxa - Marcos Daniel Gomes de Lins (C.E. Santo Antônio / Prof. Viviane Siqueira)
3o lugar: A babá - Maria Luisa Machado Serpa – (SENAI – Unidade Sul / Professora Leila Knabben )
MENÇÕES HONROSAS
Isolofobia - Helena Stylianos Mylonas (C.E. Machado de Assis / Prof. Tauann Calil Medeiros)
Cinco garotas, uma vida - Mikaela Lemos Alves (C.E. Santo Antônio / Prof. Viviane Siqueira)A primavera tão linda e bela - Yasmin Cândido (EM Nelson de Miranda Coutinho / Professor: Paulo Sérgio Maia)

MEMÓRIAS LITERÁRIAS (Ensino Fundamental):
1o lugar Prêmio 500 reais: Meu primeiro amor - Andressa Vignochi Pinheiro (Colégio Santo Antônio / Professor responsável: Valeska de Britto)
2o lugar: Minhas noites na fazenda - Amanda Silva dos Passos (EM Nelson de Miranda Coutinho / Professor: Paulo Sérgio Maia)
3o lugar: Infância perdida - Louise da Silveira Klein (Colégio Santo Antônio / Professor responsável: Valeska de Britto)
MENÇÕES HONROSAS
Uma vida cheia de história para contar
Ana Júlia Dagnoni Zanotto (EM Navarro Lins / Prof. Roseli S. S. de Lima)
Doce história
Laís Araújo (Escola Municipal Enfermeira Hilda Anna Krisch / Professor: Marco Aurélio)
Minha primeira ida ao Beto Carrero World
Brenda Monteiro Soares (Colégio Santo Antônio / Professor responsável: Valeska de Britto)

A Academia oferecerá oficinas gratuitas de conto, de poesia e de redação para todos os 71 estudantes concorrentes, classificados e não-classificados neste certame.Excelentes trabalhos não lograram classificação e serão considerados para desenvolvimento nas oficinas. Encontramos dezenas de jovens com grande potencial para se desenvolverem na escrita e a Academia estará sempre aberta para eles.



domingo, 11 de junho de 2017

A GUERRA DE JACQUES
Milton Maciel, Daniel e João Cirilo Miedzinski
384 páginas - IDEL, 2017
Lançamento nacional em 17 de Junho

sábado, 10 de junho de 2017

MIRIAM LEITÃO LÊ "COMO É CARO SER MULHER"

A jornalista Miriam Leitão, da TV Globo, também se inclui entre os leitores do livro de economia feminista "COMO É CARO SER MULHER", do escritor Milton Maciel, titular do Curso de Formação de Escritores "O Escritor Publicável"