domingo, 2 de dezembro de 2012


O MAL NECESSÁRIO BEM NECESSÁRIO
MILTON MACIEL
Abaixo a letra da canção e o link para o vídeo (lamentáveis propagandas no início, é claro)

Foi algo chocante! Nil Moltocaro postou no Facebook a letra de MAL NECESSÁRIO, canção que foi imortalizada na interpretação antológica de Ney Matogrosso, que tive a felicidade de assistir ao vivo em São Paulo. Evidentemente, corri para o Youtube e fui me deliciar outra vez. Aí, é claro, dá vontade de compartilhar com os amigos. Foi quando começaram os problemas.

 Quem era o  autor ou eram os autores da canção? Procurei com “letra” e com “lyrics” e nada. Absolutamente nada! Dezenas de letras completas, abaixo do título apenas “Ney Matogrosso”. Era como se Ney fosse o autor do poema. Nada sobre o compositor. Para maior dos pecados, Cazuza tinha uma outra canção com o mesmo nome.

Foi preciso chegar à DECIMA SÉTIMA busca para encontrar um nome: MAURO KWITKO. Surpreendente, pois esse nome eu o tenho associado a um médico homeopata espiritualista, que escreve livros sobre terapia reencarnacionista. Curioso, fui ao portal do Mauro Kwitko e lá, junto à fotografia de um simpático e vivaz senhor de 65 anos, encontrei, na Biografia, a foto de uma rapaz cabeludo, com seu violão. E a constatação: Sim, era ele o autor de Mal Necessário – Música e Letra!

Só não posso saber ainda como é que essa composição genial chegou a Ney Matogrosso e seus produtores musicais. Mas tenho que dizer que, para todos nós outros, resultou em grande felicidade que isso tivesse acontecido.

Então estou postando aqui o link para a melhor das gravações dessa canção. Aqui a interpretação de Ney chega a um dos pontos mais altos de sua carreira: Roupa, mise-en-scène, coreografia, expressão corporal, expressão facial e... VOZ, é claro, explorando aqui todo o seu inacreditável alcance vocal.

Mas é preciso que se compreenda que uma andorinha só não faz verão. Esta peça é realmente antológica, mas para que ela chegasse a esse ponto, muitas mentes brilhantes e muitos corações sensíveis estiveram envolvidos. A começar pela música e pelo poema geniais do jovem Mauro Kwitko. Sem o qual, nada existiria para ser interpretado e nos emocionar e encantar.

E a seguir pela interpretação fantástica do naipe de músicos que está nesse palco: guitarrista, com seu solo brilhante, tecladista (como ex-pianista, sou suspeito!), baixista, baterista, percussão. Mas por trás deles estão os técnicos de som, os operadores de luz (Ney que o diga, pois ele mesmo funciona como iluminador para shows de outros artistas!).

A imensa maioria das pessoas passa muito rápido pelo portento que é uma criação coletiva desse naipe. Limitam-se a fixar a figura do cantor, a ouvir sua voz. Maravilha, em se tratando deste Ney Matogrosso. Mas é tão pouco, tão pobre! Experimente assistir ao vídeo mais de uma vez, várias vezes. Na primeira, faça como todo mundo. Na segunda, faça um esforço para não ouvir a voz e não se fixar na imagem do cantor. 

Fixe sua atenção nos outros artistas geniais que também são intérpretes dessa maravilha, sem a qual não sobraria nada além da voz isolada de Ney Matogrosso. Para isso, ou feche os olhos, ou minimize a imagem. E apenas ouça. Mas ouça colocando a alma como receptáculo dos seus tímpanos. Pronto! Esse é o segredo de aproveitar tudo, tudo mesmo, até à ultima gota. Aí você vai perceber que alguém é responsável pelo ARRANJO genial. Quem?

Evidentemente, não há como corrigir a injustiça já feita. O máximo que consegui foi resgatar o nome de Mauro Kwitko e pensar nele com carinho e gratidão. Já aos outros artistas em palco, não consegui fazer justiça mesmo: Quem são eles? De qualquer forma, para eles igualmente minha gratidão e meu carinho. Obrigado, a todos vocês que criaram, junto com Ney, este momento alto da música e do espetáculo brasileiros. Valeu, pessoal!

MAL NECESSÁRIO
MAURO KWITKO

Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher
Sou as mesas e as cadeiras desse cabaré
Sou o seu amor profundo, sou o seu lugar no mundo

Sou a febre que lhe queima mas você não deixa
Sou a sua voz que grita mas você não aceita
O ouvido que lhe escuta, quando as vozes se ocultam,
Nos bares, na cama, nos lares, na lama.

Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo, mas nem sempre atento
O que nunca lhe fez falta, o que lhe atormenta e mata.

Sou o certo, sou o errado, sou o que divide
O que não tem duas partes, na verdade existe.
Oferece a outra face, mas não esquece o que lhe fazem
Nos bares, na lama, nos lares, na cama.


VIDEO NO YOUTUBE:  http://www.youtube.com/watch?v=XkwilDRbqbQ  (copiar e colar)

2 comentários:

  1. ROMANI comentou:
    Ney gravou "Mal necessário" pela primeira vez em 1978 no belo "Feitiço". Apesar de ser gaúcho, Mauro Kwitko morou algum tempo no Rio, na década de 1970, tornando-se grande amigo de Ney. Em 1979, no deslumbrante "Seu Tipo", Ney registrou outra pérola de Kwitko, chamada "Último Drama". O jogo de vozes sobrepostas no arranjo, explorando a riqueza das nuances vocais de Ney, é admirável. Kwitko chegou a lançar um disco solo em 1979, muito interessante, mas, depois disso, resolveu voltar p/ RS, dedicando-se à medicina. (ROMANI)

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