sábado, 10 de agosto de 2013

Nasce o Egito - 2a. parte

NASCE O EGITO – 2ª parte
MILTON MACIEL
(Baixo Nilo, 12 000 A.C.)

RESUMO:
Altzcotl e seu companheiro Lerbetz são os últimos sobreviventes de um grupo de atlanteanos que, tendo acreditado na informação do químico e astrólogo Zemphor, resolveram acompanhar a este em uma fuga do oceano Atlântico, para além das colunas de Atlas, antes que o grande e iminente desastre sobreviesse. Entrando com seu barco ligeiro no mar interno às colunas, contornaram o território e começaram a subir para norte. Estavam nesse ponto quando a série de explosões catastróficas efetivamente aconteceu. Em um dia e uma noite a grande ilha de Possêidia partiu-se em inúmeros pedaços e todos eles foram tragados pelo oceano de Atlas, indo parar a mais de 3000 metros de profundidade. Era o fim do que restara de Atlântida. Dos resíduos orgânicos deixados numa área tão vasta surgiu um mar de sargaços impressionantes ao longo dos anos seguintes e a súbita retirada da barreira natural que a grande ilha-continente impunha no oceano Atlântico modificou totalmente o regime de correntes, com o rápido surgimento de uma nova corrente que passou a levar as águas quentes do meio Atlântico para as distantes terras boreais.

Após uma rápida passagem por terras nos contrafortes dos Pirineus, os atlanteanos foram repelidos por povos locais paleolíticos e perderam a maior parte de seus homens;  alguns possivelmente sobrevivendo para serem feitos prisioneiros e escravos. O grupo restante, de apenas seis sobreviventes, retomou a jornada por barco até chegarem à embocadura de um grande rio, conforme meta original de Zemphor. Ali, afirmava ele, os atlanteanos encontrariam um povo dócil e receptivo, que já estava começando a descobrir os primeiros rudimentos da agricultura. Ali poderiam se estabelecer e dar continuidade a sua civilização, impedindo que a história de Atlântida fosse varrida para sempre, como acontecera com seu continente.

Uma terrível tempestade colocou a pique o grande barco de metal e com ele afundaram Zemphor, três homens e todo o equipamento técnico de que dispunham. Só Altzcotl e Lerbetz conseguiram chegar à praia com vida, mas praticamente sem recursos técnicos. Foram encontrados por pessoas de cor escura, estatura não tão elevada quanto a deles, que os receberam amistosamente e trataram de alimentá-los e dar-lhes roupas para abrigá-los. Os nativos admiraram-se da grande altura dos atlanteanos e passaram a vê-los como semi-deuses. Isso ficou ainda mais forte depois que os dois perceberam que suas lanternas de mão ainda funcionavam e que eles podiam iluminar seus próprios rostos à noite, criando um efeito realmente fantasmagórico. Foi graças a isso que conseguiram se estabelecer ali e a levar o povo local a fazer o que eles queriam.

Na verdade, o que os dois esperavam era poder iniciar ali um novo pólo de civilização. Mas ficaram tremendamente desapontados com o baixíssimo nível intelectual dos nativos do território egípcio. Eram tão trogloditas quanto os brancos dos Pirineus e possuíam uma linguagem articulada extremamente rudimentar. Mas era tudo com que os dois atlanteanos podiam contar para sobreviver e tentar desenvolver alguma coisa de sua tecnologia. Começaram então, com muita dificuldade a ensinar aos nativos rudimentos de agricultura melhor e princípios de navegação.

Um dia apareceu, andando ali entre as terras do Delta, um homem branco da alta estatura também. Vinha sozinho e se apoiava numa espécie de cajado. Era conhecido dos egípcios, que o receberam com satisfação. O homem era uma espécie de sacerdote e sua intenção era converter os nativos para sua religião. Os atlanteanos o julgaram um louco inofensivo. Há muito, em Atlântida, as religiões tinham sido banidas por obscurantistas e fanatizantes e não existiam mais templos e sacerdotes. Mas o atlanteanos perceberam que o sacerdote branco era dotado de grande inteligência e que, portanto, no lugar de onde ele vinha, devia haver mais pessoas como ele. Ali, com certeza, seria muito mais fácil e mais rápido desenvolver uma civilização.

O homem alto mostrou, rabiscando na areia, que viera dos contrafortes de uma grande montanha chamada Ararat, onde viviam os de sua raça. E demonstrou possuir conhecimentos razoavelmente avançados de cultivo de grãos. Contudo o homem, face ao seu fracasso de conversão dos nativos, foi embora de repente, deixando um recado de que voltaria a aparecer por ali no futuro. Os egípcios não precisavam de novos deuses dos brancos, já tinham seus próprios novos deuses, aqueles dois homens altos, de cor de cobre como eles, que eram capazes de vencer a treva da noite e que podiam brilhar no escuro. E que falavam uma língua que só deuses poderiam entender, mas que se comunicavam com eles através de mímica e de desenhos que sabiam fazer com inacreditável exatidão.

PARTE 2 – A reprodução dos Atlanteanos

Altzcotl, que fora o comandante do navio perdido, estava um bocado desolado com o avanço intelectual muito lento dos nativos egípcios. Mas, estimulado por Lerbetz, reconheceu que tinha que continuar tentando e que, mais do que isso, precisavam os dois ter relações sexuais com as mulheres egípcias, para garantirem a continuidade de sua semente e, principalmente, encontrarem nas crianças mestiças que gerariam, um potencial genético mais desenvolvido do ponto de vista intelectual. Lerbetz, que fora um geneticista profissional por longos anos, afirmava que isso seria possível ao logo de poucas gerações de seleção. Cada um dos deuses teria que cruzar com as filhas do outro, tão logo essas meninas atingissem uma maturidade sexual e reprodutiva que pudesse garantir a saúde de mães e filhas. Eram ambos homens fortes e jovens, na faixa dos trinta anos e, se tivessem continuado em Atlântida, não iriam viver menos de 120 anos. Quanto tempo durariam nessas terras selvagens?

Explicaram aos egípcios que desejavam esposas e ficaram chocados com a enorme quantidade de mulheres que se ofereceram a eles, porque um grande número delas já viviam com seus homens. Mas estes pareciam encantados com a honra de verem suas mulheres parirem filhos de deuses e ficavam o tempo todo implorando aos dois deuses que aceitassem suas esposas em suas tendas. A mesma coisa faziam suas mulheres. As mocas solteiras, que gozavam de grande liberdade sexual, sem tabus de virgindade como também não os tinham as atlanteanas, também vinham suplicar aos deuses que lhes dessem filhos divinos.

Então os dois atlanteanos passaram os meses seguintes tentando satisfazer todas aquelas mulheres, independente de idade ou aparência física, de serem solteiras ou casadas.  A maior dificuldade que encontraram foi convencê-las de que, aquelas que se deitassem com um dos deuses, ficava terminante proibida de se deitar com o outro, o que as deixava profundamente decepcionadas. Formariam linhagens separadas de descendentes de cada um deles. As mais rigorosas anotações eram feitas por eles, acompanhadas das honrosas “marcas dos deuses” (pequenas tatuagens que os atlanteanos lhes faziam no ombro direito), estabelecendo quem era o deus fecundante.

Dezenas e mais dezenas  de mulheres conceberam e, meses depois, uma impressionante quantidade de novos bebês estavam sendo criados por suas mães, que, tão logo se viam aptas, imploravam aos deuses que as fertilizassem de novo. Todos os bebês recebiam também a distinção da marca dos deuses no ombro.

Os dois atlanteanos viram que teriam dificuldades de diferençar seus filhos dos filhos dos nativos, que também continuavam a coabitar com suas esposas e namoradas, o que eles consideravam perfeitamente normal e justo. Só mesmo testes que aplicariam no futuro poderiam lhes revelar as diferenças. E teriam que desenvolver esses testes sem qualquer tipo de reagente bioquímico, apenas pela observação de tipos físicos e avaliações práticas de quocientes de inteligência.

A inevitável explosão demográfica que se seguiu ajudou os atlanteanos a desenvolver uma agricultura de maior precisão, pois passaram a contar com mão-de-obra sempre crescente. E os resultados da agricultura irrigada que ensinaram foram suficientes para gerar, pela primeira vez na história dos egípcios, grandes excedentes de alimentos estocados. Para o Egito, era o fim do Paleolítico e o início efetivo do Neolítico. Agora fazia-se necessário que os atlanteanos desenvolvessem a metalurgia.

CONTINUA

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