terça-feira, 19 de maio de 2026

 

SOU UM FANTASMA !     

Ou: Meu Trabalho como GHOST WRITER

MILTON  MACIEL

Tenho um dia longo demais, que começa às 7 da manhã, quando levanto e termina às 3 da manhã seguinte, quando vou deitar sob protesto. Detesto dormir! Acho uma terrível perda de tempo. Aos 21 anos de idade consegui acesso a um eletroencefa-lógrafo, fiz um treinamento autógeno e aprendi a dormir 3 horas por dia (hoje em dia, durmo quase 4 e 30, não sou mais rapaz).

Meu médico me chamou de louco e disse que eu ia morrer muito cedo. Outro médico disse que eu ia envelhecer horrivelmente, seria um ancião aos quarenta. Quando ultrapassei a marca de 3 vezes 21 anos de idade, não tendo morrido (que eu saiba!),  nem ficado mais velho do que o normal, provei que eles estavam errados.

O único problema para mim é que esse período curto de sono não permite uma boa produção de endorfinas, hormônio de crescimento e leptina, de forma que tenho mais dificuldade para lutar contra o excesso de peso. Este é garantido cada vez que eu abandono a minha boa dieta paleolítica e passo a me entupir de carboidratos, como acontece quando estou morando nos Estados Unidos. 

Mas não recomendo que todo mundo durma pouco assim, porque a necessidade de sono é algo absolutamente INDIVIDUAL e depende do número mínimo de ciclos de SONHO que uma pessoa necessita. Para mim bastam três. Tenho um trabalho chamado “DREAMS, YOUR COSMIC CONSCIOUSNESS”, onde mostro pormenorizadamente tudo isso. Infelizmente, nunca o produzi em português.

Mas esse não é o tema deste artigo. Mencionei isso somente com o intuito de dizer que o meu dia é MUITO longo. Começo a escrever às 9 da manhã, depois de assistir aos noticiários e ler notícias na Internet. E, com raras interrupções, vou até 3 da madrugada seguinte. E escrevo DEPRESSA demais também. O resultado é que escrevo muito mais do que eu posso publicar, apesar de lançar, como agora, cinco livros no mesmo semestre, de manter um blog e ter presença ativa nas redes sociais, LinkedIn principalmente.

Por isso acabei desembocando num caminho novo, que descobri morando nos Estados Unidos: hoje sou GHOST WRITER (Escritor FANTASMA). Que é o cara que escreve para os outros e, na hora da publicação, simplesmente desaparece, se esfuma no ar, como sempre o faz um bom fantasminha camarada.

O nome do ghost writer jamais aparece na capa de um livro ou como autor de um artigo ou de matérias para blogs e sites na Internet. Sou, nessa atividade, como o José Costa, personagem do livro “Budapeste” de Chico Buarque de Holanda, que ganhou, com ele, um prêmio Jabuti em 2004. Se você nunca o leu, recomendo que o faça.

Como José Costa, acho a atividade de ghost writer extremamente gratificante. E as razões são mais de uma.

A primeira é poder dar voz a ideias ou históricos e feitos de outras pessoas. Elas têm conteúdo próprio, mas não estão capacitadas a colocá-los em palavras com a mesma facilidade e qualidade com que um escritor profissional pode fazê-lo. Muitas vezes, porque não têm tempo. Outras, porque não dominam a técnica. Ninguém é obrigado a saber escrever bem, literariamente. Exceto, lógico, o escritor profissional.

Então, nesta aliança, empresto aquilo que para mim é fácil, natural e rápido. Hoje tenho 46 livros publicados em 4 idiomas e formação também em área tecnológica (química), experiência comprovada para dar vazão a conteúdos válidos e importantes, que resultam em livros de ficção, livros de negócios, livros e manuais técnicos, blogs e websites de grande importância para aqueles em cujo nome vou escrever livros e materiais promocionais.

Mas o que me agrada demais nesta atividade, é tirar pessoas do anonimato e convertê-las em escritores(as) da noite para o dia. Oriento-as na publicação autossuficiente e no marketing dos livros, quer sejam físicos, quer sejam e-books.

Como também sou editor, posso dar o trabalho final não apenas como um arquivo de manuscrito em Word ou PDF. Costumo dar o trabalho com formatação, diagramação para livro impresso nos formatos 14 x21 ou 16 x 23 cm, em PDF pronto para gráfica,  mais o arquivo para  subir o ebook. O mesmo vale para as capas, que posso criar e formatar para impressão e livro digital, se o cliente assim o quiser.


MERCADO INTERNACIONAL

E, num requinte extremo, posso produzir o texto em inglês, não apenas traduzido literalmente, mas adaptado literariamente ao mercado norteamericano. O mesmo com relação às capas  e aos próprios títulos dos livros, que devem sempre ser adequados ao particular público leitor. Um exemplo recente é meu livro “COMO É CARO SER MULHER!” Título de enorme apelo comercial no Brasil (está na 4ª edição) e Portugal (1ª. Edição), fica muito ‘estranho’ para a leitora norte americana, se eu usar a tradução literal ‘HOW EXPENSIVE TO BE A WOMAN! Então a primeira edição norteamericana, publicada para todo o mercado anglófono, leva o título ‘NOBODY WARNED ME IT’D COST THIS MUCH!”  (Ninguém me avisou que ia custar isso tudo!”).

Em resumo, sou o que nos USA se chama um Ghost Writer Premium, uma vez que não apenas produzo o texto, mas sou capaz de fornecer uma solução editorial completa, sem que meu cliente tenha que correr atrás de mais quatro tipos diferente de profissionais até ter seu livro pronto para apresentar ao mercado. Ou seja, consigo que meu cliente transforme seu conhecimento, seu projeto, sua plataforma, sua empresa ou sua história em um livro pronto, sem ter que escrever uma única linha e num tempo recorde.

E a prática tem me demonstrado que a vida de uma pessoa pode ser claramente dividida em dois períodos: AL e DL – ou seja, Antes do Livro e Depois do Livro. Ter o seu nome na capa de um livro altera profundamente a maneira como a pessoa é vista e se insere na sociedade humana.

Tenho visto esposas menosprezadas “darem a volta” em maridos machistas; Pessoas psicologicamente tímidas virarem leoas e leões e enfrentarem os entrevistadores com a maior tranquilidade em jornal e TV, na promoção de seus livros. E uma cliente minha do Rio de Janeiro me jurou que esfregou de verdade, fisicamente no duro, o seu primeiro livro na cara de uma cunhada (ou sogra, não lembro bem). É, como eu disse: AL/DL!

Isso que é valido plenamente em obras de ficção sob encomenda, como romances e contos, é ainda mais forte para livros de não-ficção. Nesse caso, o nome na capa do livro represente a fixação da expertise da pessoa. Ela é automaticamente investida na condição de autoridade sobre aquele assunto ali tratado. Eis aí por que razão a publicação de um livro sobre o ramo de atividade profissional da pessoa acaba resultando sempre numa enorme promoção para os seus negócios.

Políticos, por exemplo, adoram publicar suas biografias, que eu chamo de “angelizadas”, meses antes das convenções e das eleições que vão disputar. Barack Obama não foi exceção. Eu mesmo tive a satisfação de elaborar a biografia e a correspondente plataforma (blog, site, redes sociais) de um ex-prefeito que, com sua trajetória renovada ante os eleitores, que já o estavam esquecendo, conseguiu eleger seu filho para o mesmo cargo, numa das mais conhecidas towns aqui de Miami-Dade.

Também ajudei a eleger (com um trabalho que não é biografia, mas uma espécie de memória combinada com um ideário e plano de ação política), um candidato a deputado estadual de um estado do Sudeste brasileiro. Que, se até hoje não está cumprindo aquilo que seu texto prometeu a seus eleitores, pelo menos também não está fazendo o que não se deve fazer, mantem-se ético.

Obviamente, tal tipo de trabalho tem que ser feito bem antes da eleição e tem normas e limites próprios, para não parecer apenas uma mera propaganda eleitoral. Devemos expor o realidade daquilo que o postulante ao cargo já fez e sua trajetória concreta naquilo que ela tem de admirável. 

Um dos meus trabalhos mais gratificantes aconteceu quando, ao longo de uma pesquisa exaustiva com arquivos, jornalistas e historiadores locais, consegui escrever a saga de uma família de imigrantes de São Paulo, cujo patriarca passou para a história como um bandido. E conseguimos demonstrar que tudo não passou de uma enorme armação de inimigos políticos que o derrotaram (ao vencedor as batatas!), resgatando a memória de um homem íntegro. Isso lava a alma da gente como ghost e torna o parente que assina o livro como autor um verdadeiro herói para toda a família.

Por isso tudo, amo esta profissão de ghost writer. E, como o José Costa, do Chico Buarque, tenho um enorme orgulho dela e da prática do seu sigilo profissional absoluto, que é sempre garantido por um rígido contrato de confidencialidade (NDA). Se um dia alguém disser que eu escrevi o livro X para o escritor Y, pode ter certeza que eu nego e meu advogado processa!

Uma nota: A Writer’s Digest publicou recentemente que, de todos os títulos de sucesso publicados nos Estados Unidos, ela estima que 43% deles foram escritos por ghost writers. Isto é quase um para um: para cada bestseller  escrito pelo autor, outro foi escrito PARA ele, para a empresa ou para a ONG, por um escritor fantasma. E a tendência é crescente!



 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

 

SER FELIZ É SABER OLHAR PARA  TRÁS

E saber AGRADECER. Mas é também

olhar para a frente e NÃO TER MEDO!                                  


MILTON  MACIEL

O verdadeiro amor, por exemplo, está muito mais em ter tido a felicidade de partilhar doces e duros momentos, os altos e baixos do simples dia a dia; está muito mais no acumular de experiências e vivências, que constroem um passado de compreensão e tolerância, amizade e carinho, em que pese termos vivido desencantos e desilusões, arrufos e brigas, porque isso é simplesmente o NORMAL da vida.

As pessoas nem sempre percebem que ser feliz é OLHAR PARA TRÁS. Ao contrário... elas tendem a ficar infelizes com um veneno chamado MEDO DO FUTURO, medo de perder. Só que aquilo que você já tem dentro de si não pode mais ser perdido. É tesouro. É Indestrutível. Uma relação pode acabar, o afeto de amanhã pode mudar. Mas tudo o que foi vivido não muda, está guardado para SEMPRE, per omnia secula seculorum. Portanto, ser feliz é, acima de tudo, um estado contínuo de GRATIDÃO pelo que de bom já vivemos na vida. E isso, certamente, todos nós tivemos e muito.

 

Quantos são os que dizem, merecidamente: EU ERA FELIZ E NÃO SABIA. Pois é, isso é bem do ser humano: não saber reconhecer um estado de felicidade que está escondido numa aparente calmaria, num dia a dia sem sobressaltos, sem eventos novelescos e excitantes. Foi pensando nisso que um dia escrevi um poema muito simples(*), mas que retrata essa realidade, a qual fica oculta aos olhos das pessoas no dia a dia de suas vidas agitadas, em que elas não se permitem reconhecer a sutileza dos bons momentos que permeiam os menos agradáveis – a porque a VIDA É ASSIM, simplesmente.

Contudo, é da natureza humana, por causa do EFEITO SOMBRA que ataca do fundo do inconsciente, dar um peso diferente aos momentos infelizes, muito maior do que o atribuído aos momentos felizes. É o mesmo fenômeno que faz os jornais e os telejornais estamparem as desgraças e os crimes, as baixarias e as fofocas, preferencialmente a outros temas. Isso vende jornal, isso faz as TV’s faturarem horrores com coisas tipo BBB. De uma certa forma, nós estamos preparados para o que é ruim, esperamos por ele, pela mediocridade inclusive

As pessoas não costumam – porque ninguém lhes ensinou isso – apreciar a felicidade que está no que já passou, de onde nasce o sentimento de plenitude que se chama GRATIDÃO. Exatamente por causa desse que é, como Jung tão bem o demonstrou, o maior medo dos seres humanos: O MEDO DE SOFRER!  

É por medo de sofrer que nós deixamos passar muitas das melhores oportunidades na vida. E deixamos de nos livrar de relações negativas, quer na família, no trabalho ou no amor. E deixamos de encetar outras tantas relações novas. Em suma, como ser humano, VOCÊ MORRE DE MEDO DE SER INFELIZ. MORRE DE MEDO DE SOFRER. MORRE DE MEDO DE PERDER.

Um dia Clarice Lispector perguntou a Hélio Pelegrino, o grande psicanalista brasileiro: Viver é bom?

A resposta de Hélio Pelegrino ela anotou e colocou em livro:

“Viver, essa difícil alegria. Viver é jogo, é risco. Quem joga pode ganhar ou perder. O começo da sabedoria consiste em aceitarmos que perder também faz parte do jogo. Quando isso acontece, ganhamos alguma coisa de extremamente precioso: ganhamos nossa possibilidade de ganhar. Se sei perder, sei ganhar. Se não sei perder, não ganho nada, e terei sempre as mãos vazias. Quem não sabe perder acumula ferrugem nos olhos e se torna cego – cego de rancor. Quando a gente chega a aceitar, com verdadeira e profunda humildade, as regras do jogo existencial, viver se torna mais do que bom --se torna fascinante."


(*) ODE A UMA DIA COMUM

MILTON MACIEL

Ontem não aconteceu nada,


Foi só um dia comum.



Ontem nada foi certo;

Porém, nada deu errado.

Se nada teve conserto,

Nada também foi quebrado.

 

Tive alegrias? Que nada!

Mas nada me incomodou.

Fiquei chateado? Que nada!

No entanto, nada mudou.

 

Nada de novo na esquina,

Nada fugiu da rotina.

Nada houve de horroroso...

Que dia MARAVILHOSO!!!